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Sadia e Perdigão anunciaram que município terá matriz da nova empresa. No ano passado, cidade sofreu com inundações em Santa Catarina. A criação da Brasil Foods, gigante dos alimentos que resultará da fusão da Sadia com a Perdigão - caso a operação seja aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) trouxe ânimo e expectativa especial à cidade de Itajaí, em Santa Catarina.
A notícia de que a cidade será a sede da nova companhia ? que prevê receita de mais de R$ 20 bilhões ? é encarada como a oportunidade de resgatar a economia do município dos dias de dificuldade e prejuízos vivenciados pela população desde as enchentes que atingiram o estado em novembro do ano passado.
O anúncio de que a nova empresa se instalará em Itajaí foi uma compensação que o município teve com a tragédia. A vinda da empresa com certeza vai ser um momento muito importante pra nossa economia, afirmou o prefeito de Itajaí, Jandir Bellini (PP), que tem demonstrado total disposição para receber e oferecer infra-estrutura à empresa.
As inundações, que chegaram a deixar 80% da cidade embaixo d'água em 2008, segundo a prefeitura - deixaram marcas visíveis até hoje e ainda sentidas no caixa do município.
"Eu diria que nós perdemos, com certeza, cerca de R$ 1 bilhão, entre prejuízo e o que se deixou de faturar. Todo o nosso comércio e a indústria foram prejudicados", disse o prefeito, também sócio de uma empresa de frangos em Itajaí, a Frigovale.
Economia destruída
Somaram-se à catástrofe climática os efeitos da crise financeira mundial, que diminuiu o comércio entre países e, junto com as chuvas, acertaram em cheio o "coração" econômico de Itajaí: o porto, que responde por 60% da produção de riqueza da cidade.
Dois berços de atracação de navios foram destruídos pelas enchentes e estão sendo reformados, mas ainda não estão em operação; além disso, o acúmulo de material sólido no mar causado pelos deslizamentos fez com que a região do porto perdesse profundidade e impediu os navios com cargas de atracarem, sob o risco de ficarem atolados.
"(O porto) ficou entre uma semana a dez dias sem atividade nenhuma, porque aqueles morros caíram na água", explica o ditetor comercial do porto de Itajaí, Robert Grantham.
Atualmente, Grantham diz que o porto tem apenas 60% do movimento que tinha no ano passado. Com verbas do governo federal, já retomou quase toda a profundidade necessária para a circulação dos navios. A região opera com dois berços disponíveis, mais três do terminal de Navegantes, cidade vizinha.
"O motivo da redução é metade o problema da profundidade do canal, metade crise", afirma.
Outro ponto favorável à virada na economia itajaiense, segundo a prefeitura, deve ser a localização geográfica e infra-estrutura do município.
Além do porto, a região tem um aeroporto em Navegantes e três saídas para a BR-101. Além disso, há o projeto da criação de uma via expressa que ligue a rodovia ao porto, e desvie o tráfego de caminhões de contêineres do centro da cidade - atual queixa dos moradores locais.
Mais congelados
Segundo Grantham, diretor do porto, a expectativa é de que a nova sede ajude a alavancar os negócios aos níveis pré-crise e pré-chuvas e consolide a posição da cidade como via exportadora de congelados.
Mesmo antes da fusão, Sadia e Perdigão já mantinham uma filial de vendas e um centro de serviços, respectivamente, no município.
A Seara Cargill, outro nome importante no setor, também tem sede em Itajaí. As três são as principais exportadoras que utilizam o complexo portuário catarinense: Perdigão (60%), Seara (16%) e Sadia (9%).
"Houve uma depressão muito grande na cidade, armazéns frigoríficos (que atuam no porto) começaram a dispensar muita gente na época das chuvas. Essa notícia foi uma injeção de ânimo na cidade, tanto que a prefeitura colocou anúncio no jornal no dia, saudando a decisão da empresa", diz. Fonte: G1, em São Paulo/Ligia Guimarães |