Câncer de boca: mais um motivo para parar de fumar

Além do uso de tabaco e álcool, má higiene bucal, dentição malcuidada e desnutrição são fatores que aumentam a probabilidade de câncer de boca

Evitar o uso do tabaco (principalmente o cigarro comum, mas também cachimbos, charutos, narguilé, etc.) e a ingestão de bebidas alcóolicas são cruciais para prevenir o quinto tipo de tumor maligno mais comum entre os homens brasileiros: o câncer de boca.

O cirurgião de cabeça e pescoço do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), Ullyanov Bezerra Toscano, destaca que a ocorrência do câncer que afeta os lábios e o interior da cavidade oral está diretamente relacionada a dois hábitos que podem ser modificados: o tabagismo e o etilismo.

“O tabagismo aumenta em até oito vezes a chance de um indivíduo ter câncer na cavidade oral em comparação com um indivíduo que não fuma. Quando há sinergismo entre tabagismo e etilismo, a chance pode ser até 20 vezes maior”, alerta o especialista.

A estimativa de novos casos de câncer de boca para 2018, segundo o INCA, é de 14,7 mil, sendo 11,2 mil homens e 3,5 mil mulheres. Estudos da área também mostram que a incidência deste tipo de câncer é maior nos homens acima de 40 anos.

“Ainda existem mais homens que são fumantes e fazem uso rotineiro de bebidas, mas a doença tem sido cada vez mais comum entre a população do sexo feminino”, relata Ullyanov. “Nos últimos 20 anos, o avanço do tabagismo entre as mulheres faz com que ocorra maior incidência de câncer de boca também entre elas”, justifica.

 
Como prevenir o câncer de boca?
Além do uso de tabaco e álcool, são fatores que aumentam a probabilidade de ocorrência do câncer de boca a má higiene bucal, dentição malcuidada e desnutrição – relacionada principalmente à pouca ingestão de verduras e legumes.

“Além de suspender o tabagismo e o etilismo, favorece a prevenção do câncer de boca ter uma higiene bucal regular e ir com frequência ao dentista para fazer limpeza, tratamento de cáries ou extração de dentes que estão em traumatismo. Idosos devem estar atentos a correção de próteses mal adaptadas, pois traumas constantes podem provocar lesões críticas na cavidade oral”, orienta o cirurgião do INCA.

Sinais de alerta
Úlceras (ou feridas) na boca que sangram ou não cicatrizam de uma a duas semanas são lesões suspeitas, portanto são sinais de alerta. Outro sinal são caroços no pescoço. “Havendo esses sinais de alerta, deve-se procurar um cirurgião de cabeça e pescoço ou um odontologista, que são os profissionais mais habilitados para avaliar e diagnosticar essas lesões”, sugere Ullyanov.

Grande parte das lesões que afetam os lábios e o interior da cavidade oral (que engloba língua, bochecha, faringe e garganta) tem a característica de ficarem escondidas. Por isso, tendem a ser diagnosticadas apenas em estados avançados.

“E quando o diagnóstico em estágio avançado ocorre, a chance de cura cai para menos de 50%. O ideal é suspender o quanto antes o tabagismo para prevenir com ênfase lesões iniciais de câncer bucal”, completa o especialista.

Você quer parar de fumar?
Os fumantes devem ter em mente que a cessação do tabagismo é um processo que se inicia com a decisão de parar de fumar e só termina com a abstinência mantida por um longo período. Para ter sucesso na decisão:

Marque a data de parada nos próximos 15 dias. Pare de fumar de uma vez ou diminua o número de cigarros em uma semana, até chegar o dia sem cigarro.

Ao parar de fumar, não guarde cigarros, isqueiros, cinzeiros e troque a roupa de cama.

Saiba que a vontade de fumar (fissura) não dura mais que 5 minutos. Caso ocorra, se distraia, caminhe, tome água, ligue para um amigo ou opte pelo kit saúde (mastigar cravo, canela, gengibre desidratado, bala diet ou chiclete).

Evite situações de estresse, bebidas alcoólicas e tomar café principalmente nos primeiros dias sem cigarro.

Procure um médico para avaliar a possibilidade de prescrever medicamento de apoio.

Segundo o médico Marcelo Kolling, membro do Programa de Controle do Tabagismo da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, parar de fumar com ajuda pode ser mais fácil. Ele orienta os fumantes com dificuldades de deixarem o cigarro sozinhos a buscarem os serviços disponíveis no SUS antes que os riscos à saúde se agravem.

“Em torno de 50% das pessoas que frequentam os grupos antitabagistas disponíveis nas unidades de saúde conseguem chegar na última sessão do tratamento sem fumar. É um bom índice de sucesso, dentro do que alcançam os serviços ao redor do mundo”, pontua Marcelo.

  

Ligue 136
O tratamento do tabagismo é oferecido gratuitamente pelo SUS. Ligue para o Disque Saúde e saiba onde encontrar atendimento especializado.

 

 

 

 

 

 


fonte: Saúde Brasil
Fotos: Karina Zambrana

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