Novo coronavírus pode ser transmitido pelas fezes?

Além da infecção por gotículas espalhadas por tosse ou espirro, médicos temem que exista rota adicional de transmissão do patógeno através do trato digestivo, algo que se verificou durante a epidemia de SARS.

Equipes hospitalares devem se proteger para evitar contaminação

Até agora, partiu-se do princípio de que o novo coronavírus (2019-nCoV) é transmitido principalmente de pessoa para pessoa. através de gotículas eliminadas pela tosse ou espirro, por exemplo.

No entanto, pesquisadores do laboratório Shi Zhengli do Instituto de Virologia de Wuhan encontraram agora traços genéticos do coronavírus em amostras de fezes de pacientes infectados, o que pode indicar uma via de transmissão adicional.

As descobertas dos pesquisadores chineses também foram confirmadas por colegas dos EUA: traços genéticos do novo coronavírus foram encontrados nas fezes de um homem de 35 anos dos EUA que havia retornado recentemente de uma viagem a Wuhan.

A presença do ácido ribonucleico (RNA) do novo coronavírus sugere que a doença pode persistir nas fezes, informou a Comissão de Saúde de Shenzhen no último sábado (01/02). O RNA é uma biomolécula que carrega a informação genética de certas cepas de vírus, ou seja, a base material dos genes.

No caso de certas doenças virais (norovírus), os patógenos são transportados pelos menores vestígios de vômitos ou fezes nas mãos de infectados. A partir das mãos, eles podem facilmente chegar à boca.

Também é possível, em casos raros, uma contaminação através de água insalubre ou alimentos aos quais os patógenos adereriram. Nas fezes secas, tais vírus permanecem contagiosos por vários dias. Eles também sobrevivem na água por várias semanas.

SARS: transmissão também por excreções humanas

Informações da agência de notícias estatal chinesa Xinhua chamaram a atenção para o fato de que, além dos sintomas usuais, alguns pacientes com o novo coronavírus também apresentaram diarreia.

Os pesquisadores chineses também estão alarmados porque houve uma observação semelhante em 2003 na Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), causada por um tipo similar de coronavírus.

O SARS-CoV foi transmitido pela inalação de gotículas infecciosas (tosse, espirro), pelo contato com sangue ou excreções de pessoas infectadas (fezes, urina, vômito, suor etc.) e pelo consumo de água ou alimentos que foram contaminados com fezes ou secreções.

Na época, a Organização Mundial da Saúde (OMS) constatou que o vírus nas fezes das pessoas infectadas com diarreia permanecia estável por até quatro dias. Isso contribuiu para o fato de que uma carga viral considerável tenha sido canalizada para um sistema de esgoto deteriorado, o que contribuiu significativamente para a disseminação da doença.

Desinfetar e arejar

Zhang Qiwei, professor da Escola de Saúde Pública da Universidade Médica de Guangzhou, também alertou que a descarga do vaso sanitário pode espalhar o vírus em pequenas partículas de ar (aerossóis).

Para descartar a transmissão fecal-oral, todos os banheiros usados por uma pessoa infectada ou potencialmente infectada devem ser cuidadosamente desinfetados e ventilados, disse Zhang ao jornal Beijing News.

A equipe de cuidados hospitalares e os pacientes precisam se proteger com cuidado, escreveu o South China Morning Post, o principal jornal de Hong Kong. As notícias mais recentes sublinharam mais uma vez a necessidade de limpar as mãos regularmente com sabão.

Exames adicionais devem esclarecer agora se o vírus realmente existe no trato digestivo e também pode ser transmitido pelas fezes.

"Precisamos mais estudos epidemiológicos para confirmar que o vírus é transmitido pelas fezes ou retransmitido através da formação de aerossóis por gotículas contendo vírus", disse Feng Luzhao, pesquisador do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças.

 

 


fonte: DW

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