Como lidar com animais de estimação em tempos de coronavírus?

Em entrevista, veterinária fala sobre o que a ciência aponta até o momento quanto ao risco de transmissão da doença por pets e quais os cuidados necessários para quem tem um animal de estimação em casa.

Na volta para a casa, as patas do animal devem ser higienizadas, diz especialista

Apesar da confirmação de alguns casos de animais de pacientes com covid-19 infectados com o novo coronavírus, ainda há poucas evidências sobre o risco de um animal de estimação espalhar o patógeno. Até agora, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a transmissão de humano para humano continua sendo o principal meio de contaminação.

"Um laboratório global de análises veterinárias testou, desde fevereiro, 5 mil amostras para covid-19 em cães, gatos e cavalos. Todas deram negativo, embora os animais tivessem sintomas respiratórios", comenta a médica veterinária Ceres Berger Faraco, presidente da Associação Veterinária Latinoamericana de Zoopsiquiatria.

Mesmo assim, a recomendação dos especialistas é evitar que os animais interajam com pessoas ou animais que não moram na mesma casa. Caso o animal seja levado para passear, é importante higienizar as patas ao voltar para a casa. Em entrevista à DW Brasil, Faraco responde a algumas dúvidas sobre o tema:

DW Brasil: Há alguma comprovação de que ter um animal doméstico representa um risco de contaminação pelo novo coronavírus? Em outras palavras: eles podem transmitir a doença para nós?

Ceres Berger Faraco: Não existe comprovação. Um laboratório global de análises veterinárias testou, desde fevereiro, 5 mil amostras para covid-19 em cães, gatos e cavalos. Todas deram negativo, embora os animais tivessem sintomas respiratórios. É importante ressaltar que a gente fala hoje da verdade atual. A verdade de hoje, talvez não será a de amanhã.

Sabemos que há animais que são mais sensíveis. Por exemplo, fala-se que furões e gatos podem ser positivos. Mas o ‘ser positivo' ou suspeito não significa que eles transmitam. Isso é um mito, as pessoas estão equivocadas. Significa que eles conviveram com pessoas que foram positivas para covid-19 e foram infectados por essas pessoas com sintomas leves dessa doença.

Isso aconteceu com dois gatos, um tigre em Nova York, um ou dois cães em Hong Kong. Mas nós temos mais de 3 milhões de pessoas contaminadas e cinco casos suspeitos de animais. É importante que a gente esclareça que, até o momento, as evidências científicas são claras de que os animais não transmitem covid-19 para as pessoas.

Mesmo sem comprovação de que os animais possam transmitir o novo coronavírus, o Sars-Cov-2, quais são as recomendações para minimizar os riscos de contaminação ao sair para passear com o animal?

Essa atividade deve ser limitada, mas não excluída da vida do animal, porque é muito difícil para ele. Mas deve-se tomar cuidado para que o animal não entre em contato com outros cães, gatos ou pessoas. Na volta para a casa, as patas do animal devem ser higienizadas, mas não com álcool em gel, porque pode causar irritação, e sim com água e sabão, ou produtos específicos feitos por farmácias de manipulação e que não irritam a pele do animal.

Porém, no caso de pessoas que são positivas para covid-19 e estão em casa confinadas com o animal, recomendamos que essas pessoas usem máscara ao estar em contato com o animal, lavem as mãos antes e depois de acariciá-lo e, de certa forma, tentem deixá-los mais isolados, evitem a proximidade física. Não se sabe ainda se é eficaz colocar máscara facial nos animais, até porque são raros os casos de animais contaminados.

Desde o começo da pandemia, houve muita desinformação sobre a relação entre o novo coronavírus e animais domésticos, e algumas pessoas simplesmente abandonaram os animais – o que no Brasil é um crime. O medo é, de fato, a principal motivação?

Temos que ter muito cuidado porque as informações falsas circulam muito, e as informações qualificadas parecem ter menos impacto do que as falsas. Primeiro, eu recomendo que as pessoas não abandonem os animais. Eles fazem parte da família, são benéficos especialmente no período de confinamento, e são um suporte social e afetivo. O abandono é um absurdo, porque eles não são fonte de contaminação.

As pessoas devem buscar informações nas associações veterinárias oficiais do seu país, pois elas têm informações atuais. Abandonar os animais é um equívoco que depois vai trazer uma culpa muito grande para essas pessoas, e também pode acarretar outros problemas, como o aumento no número de animais abandonados, casos de maus-tratos e problemas de saúde pública com outras doenças.

E também ocorre o contrário: muitas pessoas em isolamento compram ou adotam um animal de estimação para aliviar a solidão ou distrair as crianças. Mas é importante pensar em como será depois que a vida voltar ao normal... 

Sim, há abrigos que não têm mais animais, é surpreendente. Muitas vezes é aquela aquisição por impulso, o que aumenta o risco de o animal ser abandonado posteriormente. Hoje, mais do que nunca, em face de todas as incertezas que nós temos, é preciso ter muita prudência e pensar em todos os nossos atos.

Adotar um animal hoje, sem ter um planejamento de futuro, é uma maldade. É um egocentrismo absurdo, que faz com que a gente não se preocupe com as consequências disso para um outro ser vivo. Neste momento, a gente está aprendendo que é preciso ser humanitário. E isso serve para as pessoas e os demais seres vivos.

 

 

 


fonte: DW

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