NAVEGAY, O MAIOR BLOCO DE SUJOS DO SUL DO PAÍS

Bloco iniciou em 1978 com oito integrantes. Atualmente, mais de 100 mil pessoas de todo o Brasil participam da folia

O maior bloco de sujos do Sul do país iniciou em 1978, com um grupo de oito integrantes da família Souza, do bairro São Domingos. A turma queria se divertir na segunda-feira de carnaval, resolveram se fantasiar de mulheres e sair pelas ruas da cidade. Segundo Osair Souza, o primeiro nome do bloco foi “Banho da Dorotéia”, pois o grupo já fantasiado saiu em cima do caminhão de Norival Souza, com destino a praia central do município. Ele explica que no ano seguinte, o Grupo que já ganhava alguns simpatizantes, era chamado apenas de “Bloco da Dorotéia”.

 

Em 1980, ano em que a escola de Samba Unidos de São Domingos foi fundada, o “Bloco da Dorotéia” ganhou mais força, quando muitos componentes agremiação resolveram sair também no bloco de sujos. Nesta época, o nome do bloco havia se transformado em “Naveguei”, no sentido de navegar, pois o grupo, que já envolvia componentes de todo o município, passou a atravessar o Ferry Boat e desfilar pelas ruas de Itajaí. A cada ano, mais pessoas se juntaram ao bloco, que passou a desfilar somente em Navegantes. 

 

Com o passar dos anos, as mulheres começaram a participar também e o bloco ficou conhecido como “Navegay”, devido às fantasias de sexo oposto que os integrantes usavam. Vale ressaltar o Bloco não é uma “Parada Gay”. O público GLS é bem vindo, assim como qualquer cidadão que queira brincar o carnaval de forma sadia, mas é importante esclarecer que o Navegay é apenas uma festa popular.

 

37 anos mais tarde, aquele que era um pequeno grupo de família, se transformou no maior bloco de sujos de toda a região, atraindo turistas do país inteiro. “É uma brincadeira super sadia, que reúne várias gerações de famílias, pois é muito comum encontrarmos na avenida avô, pai e filhos participando da festa”, comenta Osair. Ele finaliza dizendo que a família Souza sente uma emoção muito grande quando vai para as ruas acompanhar o Navegay, que como ele mesmo diz: “nós vimos nascer”.

Dona Doroteia 

Se não fosse pela Dona Doroteia talvez não existisse comemoração carnavalesca em Navegantes. Dona Doroteia era como ficou conhecido o Navegay nos seus primórdios, nos idos de 1980. O nome completo do bloco de sujos era Dona Doroteia Vamo Fura Aquela Onda, porque o objetivo era cruzar toda a avenida principal e terminar o desfile na praia, tirando as fantasias e caindo na água.

 

O objetivo foi atingido logo no primeiro ano. Claudiner Pinto Dias, o Nezinho, conta que vinha a Navegantes e começou a sugerir a festinha de carnaval entre os amigos do bairro São Domingos, onde residem a maioria dos parentes da esposa, Dona Vilma. Ele é natural de Santos-SP e, na época, Navegantes não tinha festas ou locais para fazer o pular carnaval.

 

O salão Navemar não existia, o antigo Salão São Domingos já havia sido desmanchado. A falta de opção fez ele e a família irem a Piçarras um ano antes para foliar. Quando voltou no ano seguinte, lembrou que em Santos há um bloco de sujos que vai para a rua um domingo antes do carnaval. Ele começou a instigar os amigos dengo-dengos até que muitos concordaram em ir para a rua fantasiados.

 

Eles se encontraram no Bar da Marlene, na esquina perto de onde Nezinho mora atualmente. Com a maioria dos homens vestidos de mulher, seguiram na carroceria de uma Kombi até o início da Avenida João Sacavém. A turma do Centro que já sabia da ideia do povo de São Domingos, já os aguardava. Depois da chegada do bloco, vestiram fantasias e se juntaram para subir a Sacavem. O objetivo era pular o Carnaval e chegar à praia onde entrariam no mar sem as fantasias.

Navegay. Bloco de sujos começou em 1980 com a Dona Doroteia - Vamos Furar Aquela Onda. Jean Knetschik 

Fantasias eram muito simples

Para Nezinho, o Dona Doroteia se transformou em outra coisa com o Navegay. Enquanto há 25 anos, o pessoal emprestava roupas das esposas, mães, sogras e cunhadas para se vestir de mulher, hoje tudo é muito mais caro. A produção dos foliões numa única fantasia é absurda em comparação ao início da festa, lá em 1980.

 

No segundo ano da festa, os envolvidos de Navegantes jogaram futebol vestidos de mulher. O problema era correr com o salto alto. Numa falta, alguns jogadores se machucaram feio e seguiram ao pronto socorro do hospital Marieta, em Itajaí. “Você imagina a cara do pessoal do hospital quando chegamos lá vestidos de mulher”, lembra aos risos.

 

O objetivo das fantasias era fazer rir. Depois que a folia se tornou o Navegay, o grupo criou aos domingos o bloco Bebezão. Todos os homens feitos, passeando pela avenida vestidos de fralda. “Logo a Prefeitura também se apropriou disso”, lamenta.

 

Escolas de samba

Mais tarde o grupo de amigos fundou a Escola de Samba Acadêmicos de São Domingos. Eles ganharam oitos vezes seguidas o carnaval de Itajaí. Mais tarde, outras escolas surgiram como a Estrelinha, Cara e Coragem, Amizade, Lambarulha e Estrela Águia de Ouro. De todas, apenas a São Domingos e a Estrelinha ainda sobrevivem. “Dá uma tristeza dizer que hoje só temos nós e a Estrelinha”, desabafa Dona Vilma.

 

  


fonte: Prefeitura Navegantes

Texto: Maila Santos SC 01773/JP

fonte - Dona Dorotéia em diante: Jornal de Navegantes