Maria Carolina Santiago é campeã mundial por um centésimo de diferença nos 50m livre

Estreante, ela conquistou nesta quarta-feira o terceiro ouro do Brasil na competição realizada no Parque Olímpico de Londres. Débora Carneiro foi bronze nos 100m peito

Em uma final eletrizante, a pernambucana Maria Carolina Santiago conquistou a terceira medalha de ouro do Brasil no Mundial de natação paralímpica. Carol foi a melhor nos 50m livre da classe S12, para nadadores com baixa visão. A competição é realizada desde a segunda-feira, 9, na piscina do Parque Olímpico de Londres, com mais de 650 atletas de 80 países.

A prova foi decidida na batida de mão, na casa centesimal do cronômetro. Carol cruzou a piscina em 27s41, com a russa Anna Krivshina veio imediatamente na sequência, com 27s42. Ela e a russa já rivalizaram no Mundial. Na segunda-feira, 9, primeiro dia de competição, nos 100m costas (S12), Anna Krivshina foi a melhor e ficou com o ouro, com a brasileira em segundo.

Carol Santiago venceu os 50m livre na batida de mão em Londres. Foto: Alê Cabral/CPB

“Foi incrível, muito perto, o nível está altíssimo, com vários recordes caindo. Quando cheguei não consegui ver no placar se tinha ganhado ou perdido, mas pelo barulho da torcida brasileira percebi que tinha ganhado. Mais emoção do que isso vai ser impossível”

Maria Carolina Santiago
“Foi incrível, muito perto, o nível aqui está altíssimo, com vários recordes caindo em diversas provas. Só de estar entre as oito primeiras já é uma conquista, mas quando cheguei não consegui ver no placar se tinha ganhado ou perdido, mas pelo barulho da torcida brasileira percebi que tinha ganhado. Mais emoção do que isso vai ser impossível”, disse Carol. Nesta mesma prova, a paraense Lucilene Sousa concluiu na oitava colocação (28s88).

A pernambucana de 34 anos descobriu o esporte paralímpico recentemente. Ela nasceu com síndrome de Morning Glory, alteração congênita na retina que reduz seu campo de visão. Competiu em provas de natação com atletas sem deficiência até o fim de 2018, quando migrou para o esporte paralímpico. É seu primeiro Mundial. Há pouco mais de 10 dias, ela também estreou em Parapans. Nos Jogos de Lima 2019, nadou em cinco provas e conquistou quatro ouros continentais.

Ela retorna à piscina nesta quinta, 12.09. Agora, para os 100m peito, sua prova predileta. A rival da vez é a alemã Elena Krawzow, a quem já derrotou duas vezes neste Mundial. A disputa agora é mais acirrada. Uma mostra do que está por vir foi experimentada no primeiro semestre de 2019. As duas protaganizaram um embate a distância em menos de 24 horas.

Em 26 de abril, durante o Open Loterias Caixa de Natação, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, Carol bateu o recorde mundial com 1min14s79. No dia seguinte, Elena Krawzow fez 1min14s02, em Edimburgo, na Escócia. Quarenta e cinco dias mais tarde, a alemã baixou e distanciou-se ainda mais da brasileira, com 1min12s71, em Berlim. “Estou bem preparada, vou entrar para brigar, a competição é do mais alto nível, minhas adversárias estão fortes. Vou entrar com tudo para fazer outra prova emocionante como estes 50m livre”, comentou.

Débora celebra o bronze nos 100m peito. Foto: Alê Cabral/CPB

Bronze com Débora

Com o resultado de Carol, o Brasil ocupa o oitavo lugar no quadro de medalhas, com três ouros, duas pratas e dois bronzes. A Itália permanece surpreendentemente em primeiro, com 10 ouros entre 23 medalhas, à frente da anfitriã Grã-Bretanha e da Rússia, ambas empatadas com nove ouros de 26 no total. O país foi ao pódio uma outra vez nesta quarta-feira.

Além de Carol, a paranaense Débora Carneiro faturou o bronze nos 100m peito da S14 (deficientes intelectuais). A medalha veio igualmente recheada de emoção. A brasileira teve que esperar quase um minuto após concluir a prova até ver no placar da arena seu nome confirmado na terceira colocação com 1min17s52, rigorosamente a mesma marca de Valeria Shabalina, da Rússia. A campeã foi a britânica Louise Fiddes (1min13s20), acompanhada da espanhola Michelle Alonso Morales (1min13s49). Na mesma prova, a irmã gêmea de Débora, Beatriz, terminou em sexto lugar, com 1min16s70.

A presença de Débora no pódio dá à família Borges Carneiro a incrível marca de duas medalhas consecutivas em mundiais. Na Cidade do México, em dezembro de 2017, edição anterior a esta, Beatriz representou a família com a medalha de prata nesta prova.

O Brasil quase voltou ao pódio na última prova do dia. Joana Neves, Daniel Dias, Susana Schnarndorf e Talisson Glock terminaram o revezamento misto 4x50m livre 20 pontos (soma da classificação funcional dos integrantes) em quarto lugar, com 2min30s46, um décimo de segundo atrás da Rússia, medalhista de bronze. A prata ficou com os italianos (2min22s40) e o ouro, com a China (2min20s61).

Resultados dos brasileiros nas finais desta quarta-feira, 11.09:

Gabriel Cristiano (S8): 7º lugar - 100m borboleta
Talisson Glock (S6): 5º lugar - 200m medley
Débora Carneiro (SB14): BRONZE - 100m peito
Beatriz Carneiro (SB14): 6º lugar - 100m peito
Susana Schnarndorf (SM4): 7º lugar - 150m medley
Maria Carolina Santiago (S12): OURO - 50m livre
Lucilene Sousa (S12): 8º lugar - 50m livre
Carlos Farrenberg (S13): 7º lugar - 100m livre
Revezamento misto 4x50m livre 20 pontos: 4º lugar (Joana Neves / Susana Schnarndorf/ Talisson Glock / Daniel Dias)

Programação desta quinta-feira, 12, horário de Brasília:
6h07 - 100m peito (SB12): Maria Carolina Santiago
6h14 - 100m costas (S7): Italo Pereira
6h30 - 100m livre (S10): Phelipe Rodrigues
6h43 - 100m peito (SB13) Guilherme Silva
6h55 - 50m borboleta (S5): Daniel Dias
7h01 - 50m borboleta (S5): Joana Neves
7h24 - 50m costas (S4): Susana Schnarndorf
7h32 - 200m medley (SM11) Wendell Belarmino
7h51 - 400m livre (S8): Caio Oliveira
8h22 - 100m costas (S6): Talisson Glock
15h11 - 50m costas (S3): Edenia Garcia e Maiara Barreto
15h43 - 200m livre (S2): Bruno Becker
16h02 - 200m medley (SM11) Wendell Belarmino
17h01 - 200m medley (SM5) Esthefany Rodrigues
17h21 - Revezamento misto 4x100 m livre (S14)

 

 

 


Fonte: Comitê Paralímpico Brasileiro

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