Atletas brasileiros mudam hábitos para suportar calor de Dubai durante o Mundial

Delegação redobra cuidados com hidratação para iniciar a competição mais importante do ano para a modalidade a partir desta quinta-feira, 7.11

Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, sediará de 7 a 15 de novembro a nona edição do Mundial de Atletismo Paralímpico. Cerca de 1.400 atletas, de 120 países, competirão nas 172 provas. Em Dubai, a equipe nacional tem 43 competidores de 17 estados e do Distrito Federal. O evento terá transmissão dos canais SporTV.

Apesar do emirado sede da competição ser banhado pelo Golfo Pérsico, ele foi erguido no Deserto da Arábia, por isso o clima é quente e úmido durante quase o ano inteiro. O Mundial será realizado em novembro, por ser considerado um mês "frio" para os padrões locais. As temperaturas máximas não passam de 37ºC durante o dia, mas raramente ficam abaixo dos 24ºC à noite.

Segundo Parré, 'sopra um bafo quente no rosto durante os treinos'. Foto: Ale Cabral/ CPB

Na noite de segunda-feira, 4, por exemplo, os cadeirantes Ariosvaldo Silva, o Parré, e Leonardo de Melo, treinaram pela segunda vez na pista do Dubai Clube for People of Determination, local do Mundial, e sentiram o calor. "Sopra um bafo quente na cara durante o treino", disse Parré.

"Temos um acompanhamento diário da hidratação e frutas entre as refeições. Isso influencia os resultados, porque aqui é muito quente e os atletas podem ficar com tontura e fraqueza, o que aumenta o risco de lesão"
Amaury Verissimo, técnico-chefe do atletismo paralímpico
Em razão do calor, os velocistas treinaram à noite. No horário em que Parré e Leonardo se exercitaram, por volta das 19h (de Dubai), os termômetros marcavam 27ºC. Quando as primeiras provas do Mundial paralímpico forem realizadas, na manhã de quinta-feira, 7, estima-se que a temperatura beire os 33ºC.

Não é a primeira vez que o Mundial de Atletismo Paralímpico é sediado no Oriente Médio. Há quatro anos, a competição foi realizada em Doha, no Catar. Na ocasião, o Brasil foi representado por 40 atletas que conquistaram 35 medalhas. Diferentemente do Mundial de atletismo organizado pela IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo, em inglês) no Catar, em setembro, em que o estádio era climatizado, os Mundiais paralímpicos não contam com qualquer mecanismo de resfriamento para arrefecer os efeitos das altas temperaturas.

Em 2015, o Brasil ficou com a sétima colocação no quadro geral de medalhas do evento disputado no Catar. Foram oito medalhas de ouro, 14 de prata e mais 13 de bronze. Na Seleção Brasileira que competirá em Dubai, há 20 atletas que estiveram no Mundial de Doha.

"Junto com os profissionais da área de ciência esportiva e médica, temos um acompanhamento diário da hidratação o tempo todo e com frutas entre as refeições. Isso influencia os resultados, porque aqui é muito quente e os atletas podem ficar com tontura e fraqueza devido à perda de sais minerais, o que também aumenta o risco de lesão. Doha em 2015 foi nosso maior alerta. Vimos que os atletas não se hidratavam nem dormiam como deveriam, então aumentamos nossa fiscalização na rotina dos deles aqui em Dubai", disse Amaury Verissimo, técnico-chefe da modalidade.

A delegação brasileira chegou a Dubai na quinta-feira, 31, para aclimatação, mas a adaptação começou ainda no Brasil, há cerca de duas semanas. "Nós mudamos o horário de treino para quando o sol estivesse mais quente e aumentamos a frequência de ingestão de líquidos. Aqui em Dubai, pesamos os atletas todos os dias, antes e depois do treino, para monitorar a perda de água. Também os orientamos a observar a cor da urina, que serve como indicativo para uma desidratação. Muitas provas serão à noite, então para os que competirão pela manhã haverá uma estratégia de resfriamento", explicou o fisiologista da Seleção, Thiago Lourenço.

O velocista Felipe Gomes, 33 anos, minimizou o calor de Dubai. Ele subiu ao pódio para receber a medalha de ouro dos 200m e a prata dos 100m da classe T11 (para cegos) no Mundial de Doha 2015. Há dois meses, o medalhista paralímpico foi vice-campeão dos 100m e dos 400m nos Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019. "Eu sou de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, treinei muito ali em Bangu. Estou acostumado com o calor. Doha estava mais quente do que aqui em Dubai. Só de correr 10 minutos lá no Catar já perdia líquido. Aqui tem um vento que ajuda, até parece brisa do mar. Estou me alimentando bem e dormindo, então a aclimatação está ótima", comentou Felipe, que é natural de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro.

Parapan

Em agosto, 60 competidores do atletismo participaram dos Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019, em que conquistaram 82 medalhas, sendo 33 de ouro, 26 de prata e 23 de bronze. Foi a segunda modalidade mais laureada na capital peruana, atrás apenas da natação. Estarão em Dubai 36 dos atletas brasileiros que competiram no Peru - 32 deles subiram ao pódio no evento continental.

A última edição do Mundial de Atletismo foi realizada em julho de 2017, em Londres. Naquela competição, o Brasil ficou em nono lugar no quadro-geral de medalhas. A equipe nacional foi composta por 25 atletas e conquistou 21 medalhas, sendo oito de ouro, sete de prata e seis de bronze. O melhor desempenho do Brasil em um Mundiais aconteceu em Lyon, em 2013, quando 40 medalhas foram conquistadas (16 ouros, dez pratas e 14 bronzes).

 

 


Fonte: Comitê Paralímpico Brasileiro

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