Lista da Bolsa Pódio contempla 293 atletas e inclui o surfe pela primeira vez

São 122 representantes de modalidades olímpicas e 171 de paralímpicas, em um aporte federal de aproximadamente R$ 40 milhões ao ano

Patamar mais elevado do Programa Bolsa Atleta do governo federal, a categoria Pódio teve uma nova lista de contemplados publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (03.12). São 293 atletas que tiveram o plano esportivo aprovado, sendo 122 de modalidades olímpicas e 171 de paralímpicas, somando um investimento na ordem de R$ 40 milhões ao ano. Pela primeira vez, o surfe tem representantes na listagem, juntando-se ao skate e ao caratê, já beneficiados no ano passado, entre as novas modalidades dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

Cinco surfistas brasileiros estão na lista: Filipe Toledo, Gabriel Medina, Ítalo Ferreira, Silvana Lima e Tatiana Weston-Webb. As duas mulheres já estão garantidas em Tóquio. A classificação mais recente foi a de Silvana, no último domingo (01.12), durante a etapa de Maui, no Havaí, ao assegurar a última vaga em disputa pelo ranking mundial. Agora, o Brasil já tem 152 atletas garantidos nos Jogos.

Silvana Lima conquistou a vaga olímpica no último domingo. Foto: WSL

“Realmente é um sonho que está sendo realizado, de estar nas Olimpíadas, onde estão os melhores atletas do mundo. Sempre imaginei ir assistir às Olimpíadas, e agora estou indo para competir. Sou muito grata ao universo, a Deus, a todas as pessoas que estão me apoiando, aos meus patrocinadores”, comemora Silvana, que receberá a Bolsa Pódio pela primeira vez.

"Esses atletas terão mais capacidade de se concentrar no treinamento final, e com esse respaldo administrativo que o Bolsa Atleta e o Bolsa Pódio permitem”
Décio Brasil

“Acho que vai vir para me deixar mais preparada ainda, mais confortável em relação a suporte, mais tranquila para focar só no meu treinamento, na minha preparação, na minha performance”, destaca. “Acredito que a Bolsa Pódio vai me deixar mais preparada para dar o meu melhor nestes próximos meses, para ir para a Olimpíada com tudo, para mostrar a bandeira do Brasil da melhor forma”, deseja.

Antes de Silvana, Tatiana havia assegurado a primeira vaga do Brasil no surfe, durante a etapa de Peniche do Circuito Mundial. “A Bolsa Pódio é um apoio enorme que o governo nos dá e poderei utilizá-lo pela primeira vez. Acho que será incrível essa ajuda, pois assim poderei me preparar ainda mais para as Olimpíadas de 2020. Espero poder representar bem nosso país”, afirma Tatiana. “O surfe ser incluído nos Jogos era um sonho de muitos e muitos anos, de muita gente. Acredito que foi bom para nós surfistas porque agora temos o selo de um esporte olímpico”, comemora.

Tatiana Weston-Webb: primeira vaga olímpica do Brasil no surfe. Foto: Kenny Morris/WSL

Para o secretário especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Décio Brasil, o investimento será crucial nos últimos meses de preparação dos atletas para os Jogos Olímpicos. “Eu considero uma grande vitória da Secretaria do Esporte, e em particular da Secretaria Nacional de Alto Rendimento, porque vai beneficiar os atletas nesta reta final do ciclo olímpico, que termina no Japão. Esses atletas terão mais capacidade de se concentrar no treinamento final, e com esse respaldo administrativo que o Bolsa Atleta e o Bolsa Pódio permitem”, analisa.

“Essa publicação da Bolsa Pódio atende o investimento final na preparação dos nossos atletas para Tóquio 2020. É um momento importantíssimo de lapidação da preparação deles, e acredito que é fundamental o apoio que o governo federal, por meio do Ministério da Cidadania e a Secretaria do Esporte, está dando diretamente ao atleta”, aponta o secretário de Alto Rendimento, Emanuel Rego. “A gente confia que esse investimento vai trazer bons resultados e confiança para os atletas na reta final para Tóquio”, completa.

Novas figuras

Além do surfe, a lista contempla outras 19 modalidades olímpicas: atletismo, boxe, ciclismo, canoagem, maratona aquática, natação, esgrima, ginástica artística, judô, caratê, levantamento de peso, skate, tênis, tiro com arco, taekwondo, tênis de mesa, vôlei de praia, vela e wrestling.

Há ainda 18 modalidades paralímpicas: atletismo, bocha, esgrima em cadeira de rodas, esqui, halterofilismo, hipismo, judô, natação, badminton, canoagem, ciclismo, taekwondo, triatlo, remo, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, tiro com arco e tiro esportivo.

“Estou visando mais alto, que é a Olimpíada. Só estou olhando para ela. Sei que estou indo muito bem e, se continuar assim, com certeza vou conseguir a classificação olímpica”
Aléxia Castilhos

Neste ciclo olímpico, 64 atletas estão entre os contemplados com a Bolsa Pódio pela primeira vez. É o caso, por exemplo, de Aléxia Castilhos. Beneficiada pela Bolsa Atleta desde 2011, a judoca destaca a importância do apoio que já recebeu ao longo da carreira. “Foi fundamental para mim desde que comecei uma vida de alto rendimento no esporte. Vem agregando desde alimentação, pagamento de viagens, suplementações. Realmente é muito importante para mim”, comenta.

No ano passado, Aléxia conquistou o bronze nas etapas do Grand Prix de Antalya, de Zagreb e de Cancun. Neste ano, seguiu com conquistas significativas, como o bronze no Grand Prix de Montreal e nos Jogos Pan-Americanos de Lima, e a prata no Grand Slam de Brasília, que a colocaram na atual 21a colocação no ranking mundial da categoria -63kg.

Aléxia Castilhos integra a lista da Bolsa Pódio pela primeira vez. Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

“Assim como está crescendo o valor da bolsa, eu estou crescendo. Quero lutar as Olimpíadas no ano que vem. Isso é fruto de treinamento e de investimento do governo, da CBJ e da Sogipa. Vai ser muito mais importante agora porque é briga por vaga olímpica e as competições são bem mais caras para conseguir ranquear”, pondera.

Aos 24 anos, Aléxia disputa a vaga olímpica com a experiente Ketleyn Quadros, bronze em Pequim 2008 e companheira de clube na Sogipa, atualmente em 13o lugar na listagem da federação internacional. O foco, contudo, é pessoal. “Eu não me vejo disputando com ela, mas comigo. Sei que, se fizer a minha parte e continuar medalhando, é suficiente. Eu me preocupo com as meninas de fora e em lutar bem as competições”, explica.

“A gente confia que esse investimento vai trazer bons resultados e confiança para os atletas na reta final para Tóquio”
Emanuel Rego

A receita vem dando certo. Colecionando pódios no Circuito Mundial, a atleta, no entanto, só pensa em Tóquio. “Eu mal estou conseguindo aproveitar os títulos. São muito importantes, mas estou visando mais alto, que é a Olimpíada. Só estou olhando para ela. Sei que estou indo muito bem e, se continuar assim, com certeza vou conseguir a classificação olímpica”, projeta.

Para isso, Aléxia concilia uma agenda intensa de viagens com a própria rotina de dois treinos diários. “No mês passado, fiquei três dias em casa. Foi o mês todo viajando. Depois do Grand Slam de Brasília, fui para a Oceania, depois para a China. Estava bem puxado. Este mês deu uma tranquilizada para voltar à rotina de treinos, mas no domingo vou para a China de novo para competir o World Masters, que vai ser a última competição do ano”, conta. O torneio é o que mais vale pontos para o ranking de classificação olímpica depois do Mundial.

“A Bolsa Pódio vai me dar uma tranquilidade psicológica porque sei que posso investir em uma competição, em uma suplementação mais cara, em um fisioterapeuta. Além de pagar as competições, vai me dar tranquilidade para seguir treinando e não me preocupar com coisas externas”, acredita Aléxia.

Danielle Rauen tem a Bolsa Pódio desde 2017. Foto: Roberto Castro/ rededoesporte.gov.br

Motivação extra

“Todos os custos que temos são pagos pela Bolsa Pódio. Esse apoio que temos do governo é fundamental”
Danielle Rauen

Bronze por equipes nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, a mesatenista Danielle Rauen já encara o benefício da Bolsa Pódio como motivação a mais para os treinos. “Hoje vou fazer ponta-ponta de direita sem reclamar”, brinca, sobre um exercício da modalidade em que o atleta precisa acertar todas as bolas de forehand nas duas pontas da mesa. Dani recebe a Bolsa Atleta desde 2014 e é categoria Pódio desde 2017.

“Dá um ânimo a mais nesta reta final para Tóquio. Cada mês agora será importante para a gente se preparar bem e chegar confiante e preparado. Sem receber fica difícil para a gente. Moro em São Paulo e aqui os custos são muito altos”, comenta. “Todos os custos que temos são pagos pela Bolsa Pódio. Esse apoio que temos do governo é fundamental”, acrescenta Dani.

No mês passado, a Secretaria Especial do Esporte também publicou o edital da Bolsa Atleta e registrou o número recorde de 7.660 inscrições.

 

 

 


fonte: Ana Cláudia Felizola – rededoesporte.gov.br

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