Prêmio Brasil Olímpico coroa Beatriz Ferreira e Arthur Nory como melhores atletas do ano

Cerimônia realizada na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, homenageou ainda os melhores de cada modalidade. Hugo Calderano foi eleito o Atleta da Torcida

O ano pré-olímpico de 2019 se aproxima do fim e, na noite desta terça-feira (10.12), na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ), os atletas brasileiros puderam celebrar as conquistas obtidas ao longo da temporada. Entre elas, a campanha histórica nos Jogos Pan-Americanos de Lima, que rendeu 168 medalhas ao país. A cerimônia do Prêmio Brasil Olímpico, do Comitê Olímpico do Brasil (COB), rendeu ainda o título de melhor atleta do ano a Beatriz Ferreira e Arthur Nory.

“Foi um ano de muita coragem, muita dedicação e trabalho. Não tenho como explicar. E, para finalizar, estar concorrendo entre os três melhores atletas do ano é aquela cerejinha do bolo que falta para começar mais motivado para 2020”, afirmou o ginasta Arthur Nory antes mesmo de conhecer o resultado do maior prêmio da noite, que disputava com o surfista Gabriel Medina e o canoísta Isaquias Queiroz.

“O meu discurso está preparado há quatro anos. Em 2015, participei da cerimônia pela primeira vez e aquilo martelava na minha cabeça, de um dia estar disputando o prêmio de melhor atleta”, contou ao receber o troféu, emocionado. Em 2019, Nory sagrou-se campeão mundial na barra fixa em Stuttgart, além de ter conquistado duas pratas e um ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima. O atleta, medalhista de bronze no Rio 2016, ainda participou da classificação da seleção masculina brasileira para Tóquio 2020.

Bia e Nory receberam o prêmio das mãos de Paulo Wanderley, presidente do COB, e de Décio Brasil, secretário especial do Esporte. Foto: Abelardo Mendes Jr/rededoesporte.gov.br

Beatriz Ferreira também colecionou títulos ao longo deste ano, chegando à marca de 24 pódios em 25 torneios que disputou. A maior conquista foi o ouro no Mundial de boxe da Rússia, na categoria -60kg. Bia ainda foi ouro nos Jogos de Lima, um feito inédito entre as mulheres da modalidade no Brasil. Resultados que a credenciaram ao prêmio desta noite. “A ficha não caiu ainda, mas eu sempre acreditei que eu ia conseguir, e isso só foi mais um sonho realizado. Tóquio está logo ali e é o objetivo final. Se Deus quiser, vou repetir esse feito”, adiantou a pugilista, que ainda foi prata nos Jogos Mundiais Militares de Wuhan, na China.

Para faturar o troféu, Bia desbancou outras duas campeãs mundiais: Ana Marcela Cunha, da maratona aquática, e Nathalie Moellhausen, da esgrima. A escolha foi realizada por um colégio eleitoral formado por dirigentes, jornalistas, ex-atletas e pela Comissão de Atletas do COB.

Renan Dal Zotto foi eleito o melhor técnico de esportes coletivos. Foto: Abelardo Mendes Jr/rededoesporte.gov.br

O boxe ainda recebeu outro importante prêmio na noite, já que o técnico Mateus Alves foi escolhido o melhor treinador entre as modalidades individuais. “O projeto da equipe olímpica permanente de boxe é o mais vitorioso da modalidade na história. Trabalhamos todos juntos de janeiro a dezembro, de segunda a sábado”, afirmou Mateus, que conduziu a seleção de boxe ao ouro de Bia e ao bronze de Hebert Conceição em Mundiais, e a seis medalhas em Lima. “A minha equipe está arrebentando, nós estamos bem preparados, tanto os técnicos quanto os atletas. Estamos bem focados e sabemos o que queremos. Não tem como dar errado”, assegurou Beatriz.

Entre os esportes coletivos, Renan Dal Zotto, da seleção masculina de vôlei, foi escolhido o melhor treinador. “É um momento muito especial. Foi um ano muito importante para o nosso voleibol, um ano pré-olímpico em que tivemos grandes competições e fomos campeões sul-americanos, campeões do Pré-Olímpico e da Copa do Mundo no Japão”, enumerou Dal Zotto, que também já tinha recebido o prêmio em 2018. “Ano que vem é nosso grande desafio, e tudo que conquistamos neste ano nos alimenta para treinarmos cada vez mais, sem perdermos o foco e o brilho nos olhos”, acrescentou.

Escolhido por voto popular, Hugo Calderano foi eleito o Atleta da Torcida. O mesatenista, que não pode comparecer à cerimônia devido às finais do Circuito Mundial da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), na China, sagrou-se bicampeão dos Jogos Pan-Americanos em Lima, garantindo antecipadamente a vaga para as Olimpíadas de Tóquio. Calderano é o número seis do mundo pelo ranking internacional.

Homenagens

A delegação que representou o Brasil em Lima também foi homenageada no evento. Os atletas receberam um diploma pelas conquistas no Peru, que renderam o segundo lugar no quadro geral de medalhas após 56 anos. “Acho que foi o melhor ano da minha carreira. Consegui a vaga olímpica no Pan e melhorei muito os meus resultados. Agora é me preparar para o ano que vem”, afirmou Iêda Guimarães, do pentatlo moderno. Além dela, o Brasil conquistou outras 28 vagas para o Japão durante o torneio continental.

O Prêmio Brasil Olímpico ainda ofereceu um troféu ao melhor atleta de cada modalidade. Foi o caso, por exemplo, de Ana Sátila, da canoagem slalom, que conquistou duas medalhas de ouro no Mundial Sub 23 da Polônia e outros dois ouros em Lima, e também já está garantida em Tóquio, no K1 e no C1. “Foi um resultado fruto de muito trabalho, muita dedicação e perseverança. Batalhei muito para conquistar esse sonho de representar bem o país. Era um ano muito importante e terminar como a melhor da modalidade e com os resultados que eu esperava é muito gratificante”, comentou.

A edição da premiação do COB também deu destaque às modalidades pan-americanas que não compõem o programa olímpico. “Eu vou levar o Pan para o resto da minha vida. Ali me senti uma atleta de verdade, onde se preocupavam com o meu estado físico. Tinha fisioterapia, massagem, e conheci atletas de outras modalidades”, relembrou Bruna Wurts, ouro na patinação artística.

“O Pan para o boliche é uma Olimpíada. A cada quatro anos, a gente treina como malucos, e é exatamente o que eu estava fazendo. Porém, no ano de 2018, os meus resultados despencaram absurdamente. Parecia que, quanto mais eu treinava, menos resultados eu tinha. Na transição para 2019, fiz um trabalho mental tão forte que consegui destravar para o Pan”, contou Marcelo Suartz, prata no boliche em Lima.

Avaliação positiva

Até o momento, o Brasil já tem 152 vagas garantidas para os Jogos Olímpicos de Tóquio. “Nós tivemos um ano formidável, com recorde no Pan e no Parapan, e recorde de participação em finais. O resultado dos nossos atletas foi bem acima do esperado, então isso já é um sinal de que as coisas estão indo bem. O Bolsa Atleta foi recomposto, e isso deu um gás a mais para os beneficiados por esse programa. Tudo isso faz a gente avaliar e crer que o ano foi extremamente positivo”, analisou o secretário especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Décio Brasil.

Emanuel Rego, secretário nacional de Alto Rendimento, também destacou a importância do investimento federal na preparação dos atletas. “Com o Bolsa Atleta, conseguimos ajudar muitos a chegarem no auge. Fico muito satisfeito em ver que o investimento que é feito nos atletas dá resultados. Chegar a um fim de ano com tantos resultados positivos é muito gratificante e já fica uma missão importante para o ano que vem, de por meio do Bolsa Pódio conseguirmos ajudar nesse finalzinho de preparação para Tóquio”, ressaltou. No último dia 3, foi publicada a lista da maior categoria do programa, com 293 beneficiados.

“Nossa missão está praticamente cumprida, que é dar oportunidade e o apoio necessário que os atletas de alto rendimento do Brasil merecem”, afirmou o presidente do COB, Paulo Wanderley. “A nossa avaliação é a melhor possível. Conseguimos atingir todas as metas estabelecidas para o desporto militar, que foi nos colocarmos entre as três maiores potências mundiais”, reforçou o general Jorge Antônio Smicelato, presidente da Comissão Desportiva Militar do Brasil (CDMB), acerca das 88 medalhas que o país conquistou nos Jogos Mundiais Militares de Wuhan, na China.

Joaquim Cruz entrou para o Hall da Fama do COB. Foto: Abelardo Mendes Jr/rededoesporte.gov.br

Recordações

A cerimônia desta noite ainda recordou o feito de ex-atletas. Oscar Schmidt, do basquete, recebeu o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, dedicado a atletas que representem valores como ética, dedicação e espírito coletivo. Oscar foi o jogador de basquete com mais pontos em Jogos Olímpicos, tendo disputado as edições de Moscou 1980, Los Angeles 1984, Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996.“Eu sou um brasileiro. Sou um grande brasileiro”, proferiu. “Eu fiz o que eu quis. Joguei basquete e hoje ganho minha vida contando essa história”, acrescentou.

O evento homenageou a equipe de revezamento 4x100m que conquistou o bronze dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, entregue apenas neste ano após a desclassificação da Jamaica por doping. Já o Hall da Fama do COB ganhou seis novos nomes: Joaquim Cruz, Magic Paula, e os já falecidos Guilherme Paraense, João do Pulo, Maria Lenk e Sylvio Magalhães Padilha, representados por parentes na ocasião.

Lista completa dos atletas vencedores por modalidade:

Atletismo: Darlan Romani
Badminton: Ygor Coelho
Basquete 5X5: Erika Souza
Basquete 3X3: Jefferson Socas
Boliche: Marcelo Suartz
Beisebol: Rodrigo Takahashi
Boxe: Beatriz Ferreira
Canoagem Slalom: Ana Sátila
Canoagem Velocidade: Isaquias Queiroz
Ciclismo BMX Freestyle: Cauan Madona
Ciclismo BMX Racing: Paôla Reis
Ciclismo Estrada: Magno Nazaret
Ciclismo Mountain Bike: Henrique Avancini
Cicismo Pista: Flávio Cipriano
Desportos Na Neve: Michel Macedo
Desportos No Gelo: Nicole Silveira
Escalada Esportiva: Cesar Grosso
Esgrima: Nathalie Moellhausen
Esqui Aquático: Mariana Nep
Fisiculturismo: Juscelino Nascimento
Futebol: Alisson Becker
Ginástica Artística: Arthur Nory
Ginástica Rítmica: Bárbara Domingos
Ginástica Trampolim: Camilla Gomes
Golfe: Alexandre Rocha
Handebol: Duda Amorim
Hipismo Adestramento: João Paulo dos Santos
Hipismo CCE: Carlos Eduardo Parro
Hipismo Saltos: Marlon Zanotelli
Hóquei Sobre Grama e Indoor: Mayara Fedrizzi
Judô: Mayra Aguiar
Karatê: Valéria Kumizaki
Levantamento de Pesos: Fernando Reis
Maratona Aquática: Ana Marcela Cunha
Nado Artístico: Luisa Borges
Natação: Bruno Fratus
Patinação Artística: Bruna Wurts
Patinação de velocidade: Gabriel Félix e Silva
Pelota basca: Filipe Otheguy
Pentatlo Moderno: Iêda Guimarães
Polo Aquático: Gustavo Guimarães (Grummy)
Remo: Pau Vela - Xavier Vela
Rugby : Rafaela Zanellato
Saltos Ornamentais: Isaac Souza - Kawan Figueredo Pereira
Squash: Rafael Alarcon
Skate: Pamela Rosa
Softbol: Mayra Sayumi Akamine
Surfe: Gabriel Medina
Taekwondo: Milena Titoneli
Tênis: João Menezes
Tênis de Mesa: Hugo Calderano
Tiro com Arco: Marcus D'Almeida
Tiro Esportivo: Leonardo Lustoza
Triathlon: Luisa Baptista
Vela: Kahena Kunze - Martine Grael
Vôlei de Praia: Ágatha Rippel - Duda Lisboa
Voleibol: Bruno Rezende (Bruninho)
Wrestling: Lais Nunes

 

 

 


fonte: Do Rio de Janeiro (RJ), Ana Cláudia Felizola – rededoesporte.gov.br

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