Italo Ferreira supera Medina e é campeão mundial no Billabong Pipe Masters

Etapa também definiu as últimas vagas do surfe nos Jogos Olímpicos de Tóquio

Italo Ferreira é o novo campeão do World Surf League Championship Tour. Nesta quinta-feira (19.12), o atleta conquistou o título mundial após uma final brasileira contra Gabriel Medina, no maior palco do esporte no Havaí. O Brasil é agora tetracampeão mundial e o troféu de melhor surfista do mundo, pela primeira vez, vai para a Região Nordeste do país, para Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, junto com o de campeão do Billabong Pipe Masters.

Foto: Kelly Cestari / WSL via Getty Images

"Eu nem consigo acreditar que consegui, é irreal, não sei nem o que falar", disse Italo Ferreira, muito emocionado. "Eu vim para Pipe há um mês para treinar, testar as pranchas e este troféu significa muito para mim. Foram grandes baterias hoje aqui, com o Gabriel (Medina), o Kelly (Slater), o Yago (Dora), o Peterson (Crisanto). Vocês todos me dão muita energia e eu apenas tento fazer o meu melhor a cada dia. Antes de começar o evento, fiquei olhando para o troféu, pensando se eu conseguiria ganhar e ele agora está aqui nas minhas mãos. Foi um ano realmente diferente e só tenho que agradecer a Deus por tudo", afirmou.

A final histórica valendo o título mundial era a nona da carreira de Italo Ferreira no CT, e a 24ª de Gabriel Medina, que tem o dobro de temporadas na divisão de elite da World Surf League. O placar de 15,56 a 12,94 pontos rendeu a conquista do ano ao surfista potiguar.

"Eu quero agradecer a todos que torceram por nós, para o Brasil", disse Gabriel Medina. "Essa onda é realmente especial e consegui surfar bons tubos. Na final não tive muita chance, mas contra o John John (Florence) veio bastante onda boa e foi muito especial, porque ele é um dos melhores do mundo e gosto muito de competir com ele. Quero agradecer também todos os locais daqui, por nos deixarem surfar essa onda. Esse é um dos meus lugares favoritos no mundo, estou orgulhoso com meu desempenho e já ansioso para o próximo ano", completou Medina.

Gabriel Medina. Foto: Tony Heff / WSL via Getty Images

Finais brasileiras

A disputa entre Italo e Medina foi a segunda final brasileira no templo sagrado do esporte. A primeira foi em 2015, quando Gabriel Medina, campeão mundial de 2014, tinha garantido o segundo título brasileiro seguido para Adriano de Souza, ao derrotar Mick Fanning na primeira semifinal. Medina se tornava, então, o primeiro brasileiro campeão da Tríplice Coroa Havaiana, mas Mineirinho foi o primeiro a vencer o Billabong Pipe Masters.

Italo começou o dia ganhando os duelos brasileiros que abriram as oitavas e as quartas de final. Na semifinal, não deu qualquer chance ao Mr. Pipeline, Kelly Slater. Medina também ganhou por "combination", o confronto de bicampeões mundiais com John John Florence nas quartas de final. Antes, Medina havia superado Caio Ibelli se beneficiando da regra na bateria das oitavas de final. Caio tinha prioridade no final, mas Medina entrou na frente, cometendo uma interferência. A penalidade anula a segunda nota computada, mas mesmo assim Medina acabou vencendo por 4,23 a 1,13 pontos das duas notas de Caio.

"Eu apenas joguei o jogo", disse Gabriel Medina. "Faltavam 20 segundos para terminar a bateria e eu sabia que minha maior nota me garantia a vitória. Não sei se o Caio poderia conseguir o 5 e pouco de que precisava, por isso fui na onda e fiz a interferência. Eu apenas tive que jogar o jogo. Às vezes, você pode usar as regras se precisar e foi o que fiz", justificou. Na etapa passada, em Portugal, Medina tinha chance de ser tricampeão mundial antecipado, mas perdeu para Caio fazendo uma interferência também no último minuto, achando que a prioridade era dele.

Campanha

A final no Billabong Pipe Masters foi a terceira seguida de Italo Ferreira na reta final da temporada. Ele só não venceu a decisão contra o francês Jeremy Flores no Quiksilver Pro France em Hossegor. Porém, foi bicampeão consecutivo no MEO Rip Curl Pro Portugal em Supertubos e agora vence um dos títulos mais cobiçados do mundo, do Pipe Master. Assim, Italo termina o ano como começou, comemorando vitória no pódio. Ele ganhou a primeira etapa do ano na Austrália, tirando a lycra amarela do Jeep Leaderboard do campeão mundial de 2018, Gabriel Medina, no Quiksilver Pro Gold Coast.

Foto: Ed Sloane / WSL via Getty Images

Depois, parou nas quartas de final do Rip Curl Pro Bells Beach e o havaiano John John Florence pegou a lycra amarela com a vitória. Italo foi então defender o título conquistado no Corona Bali Protected na Indonésia, mas parou na terceira fase e até descartou este resultado das nove etapas que são computadas no ranking final da WSL. Na volta à Austrália, ficou nas quartas de final novamente em Margaret River e foi mal no Brasil, jogando fora o 17º lugar no Oi Rio Pro em Saquarema, quando se distanciou da briga pelo título mundial.

Contudo, Ítalo recuperou fôlego na etapa seguinte, quando fez a primeira final brasileira com Gabriel Medina em 2019, perdendo essa do Corona Open J-Bay nas direitas da África do Sul. Aí foi Medina que começou a entrar forte na corrida pelo tricampeonato, ficando em segundo lugar nos tubos de Teahupoo no Taiti e sendo bicampeão nas ondas da piscina do Surf Ranch, quando tirou a lycra amarela do Jeep Leaderboad do então líder, Filipe Toledo.

Quando chegou a perna europeia, onde Medina sempre se destacou, quem brilhou foi Italo Ferreira. O potiguar chegou em sua primeira final em Hossegor e voltou a subir no ranking, mesmo com Jeremy Flores conquistando a primeira vitória francesa no Quiksilver Pro France. Já em Portugal, pegou tubos e mandou aéreos incríveis nas ondas de Supertubos, para ser bicampeão consecutivo no MEO Rip Curl Pro e assumir a liderança no ranking. Medina tinha até chance de ser tricampeão mundial antecipado, mas cometeu um erro na bateria brasileira contra Caio Ibelli e a decisão do título ficou adiada para o Havaí.

Italo Ferreira fecha o ano do seu primeiro título mundial com 66,4% de aproveitamento dos pontos dos nove resultados computados. Foram três vitórias de 100.000 dólares e 10.000 pontos em cinco finais, dois vice-campeonatos, dois quintos lugares nas quartas de final, um nono lugar e um 17º lugar. Das onze etapas do World Surf League Championship Tour 2019, nove tiveram brasileiros decidindo o título. O Billabong Pipe Masters também fechou a lista dos 32 surfistas que vão disputar a temporada 2020 do World Surf League Championship Tour.

Vagas olímpicas

Na quinta-feira decisiva do Billabong Pipe Masters, também foram definidas as últimas vagas para a estreia do surfe nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Só restavam duas e não houve mudanças, pois Kelly Slater não conseguiu tirar John John Florence do time norte-americano e nem Jake Paterson superar Julian Wilson na briga pela segunda vaga da Austrália.

Todos os dez indicados pelo ranking masculino da World Surf League subiram ao pódio do Billabong Pipe Masters, antes da premiação dos finalistas. Os campeões mundiais Italo Ferreira e Gabriel Medina vão disputar medalhas para o Brasil, junto com a gaúcha Tatiana Weston-Webb e a cearense Silvana Lima. Os outros classificados foram Jordy Smith pela África do Sul, Kolohe Andino e John John Florence pelos Estados Unidos, Kanoa Igarashi pelo Japão, Owen Wright e Julian Wilson pela Austrália e Jeremy Flores e Michel Bourez pela França.

 

 

 


Fonte: WSL Latin America

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