Brasil terá dez atletas em competição decisiva do caratê para os Jogos Olímpicos

Tradicional no circuito internacional, Premier League de Paris reúne a elite da modalidade no próximo fim de semana, distribui até 990 pontos no ranking e tem 703 inscritos, de 92 países

Modalidade que vai estrear no programa olímpico nos Jogos de Tóquio, em 2020, o caratê chega em 2020 à fase de definição dos atletas que vão estar no seleto grupo de 80 inscritos para disputar as medalhas em oito categorias na capital japonesa.

Nessa reta final, um dos eventos de maior prestígio do calendário será disputado neste fim de semana, na França, de 24 a 26 de janeiro. A Premier League de Paris distribui entre 870 e 990 pontos para os vencedores, a depender da categoria e do número de lutas que os medalhistas de ouro precisarem fazer.

Vinicius na final do Mundial de 2018, contra Steven Dacosta. O francês é um dos dois atletas à frente do brasileiro no ranking olímpico. Foto: Abelardo Mendes Jr./ rededoesporte.gov.br

Segundo informações da Federação Internacional de Karate (WKF na sigla em inglês), estão inscritos 703 atletas, de 92 países. O Brasil leva dez competidores, todos na categoria Kumite (luta). São seis no feminino e quatro no masculino. Depois de Paris, outros três eventos de mesmo peso serão realizados na Áustria, no Marrocos e nos Emirados Árabes Unidos antes do fechamento do ranking olímpico, em 6 de abril.

"Já estou na França treinando. Essa é a reta final para a definição da vaga olímpica. Brigo pelo ranking com o francês e o egípcio. Hoje estou 600 pontos atrás do egípcio. O objetivo é passar ele nas quatro etapas que faltam. Se ficar entre os dois da categoria, vou pelo ranking direto"
Vinicius Figueira
O regulamento olímpico é muito restrito. A competição em Tóquio terá apenas dez atletas em cada uma das seis categorias de peso, mais dez em cada uma das disputas individuais de kata (prova de demonstração de golpes), masculino e feminino. Quatro dessas vagas, em cada categoria, serão definidas de forma direta pelo ranking olímpico que vem sendo preenchido desde o fim de 2018.

O brasileiro mais próximo da vaga por esse critério é o paranaense Vinicius Figueira (-67kg), que foi medalhista de prata no Mundial de 2018, em Madri, na Espanha. Vinicius atualmente ocupa a sexta posição no ranking olímpico, com 5.422 pontos.

Como a categoria dele em Tóquio unifica as classes -60kg e -67kg, o regulamento prevê duas vagas por ranking para atletas -60kg e outras duas para -67kg. Com isso, Vinicius tem à sua frente em sua corrida pessoal apenas dois atletas. O francês Steven Dacosta (6.960 pontos), campeão mundial em 2018 vencendo Vinicius na final, e ouro na Premier League de 2019, além do egípcio Ali Elsawy, (6.022 pontos). Uma boa performance na capital francesa já poderia ser suficiente para o brasileiro encostar ou ultrapassar o rival egípcio.

"Já estou na França treinando. Essa é a reta final para a definição da vaga. Brigo por essa vaga pelo ranking com o francês e o egípcio. Hoje estou 600 pontos atrás do egípcio. O objetivo é passar ele nessas quatro etapas que faltam. Se ficar entre os dois da categoria, vou pelo ranking direto", afirmou Vinicius. "O outro caminho é um classificatório olímpico também em Paris, previsto para maio. Lá, cada país indica um atleta que não esteja classificado ainda por categoria. O Brasil vai indicar o atleta que estiver melhor colocado entre os 30 do ranking olímpico", completou o brasileiro.

Na mesma classe olímpica de Vinicius há outro brasileiro com histórico de resultados expressivos no circuito internacional e ainda na briga. Bicampeão mundial, Douglas Brose compete na categoria -60kg. E, como o regulamento define que cada país poderá ter apenas um representante por classe na capital japonesa, Douglas, atualmente em quinto na categoria -60kg, compete indiretamente com Vinicius.

No feminino, a brasileira com ranking olímpico mais expressivo é Valéria Kumizaki, atualmente em nono na corrida da categoria -55kg. Valéria tem no currículo um vice-campeonato mundial e quatro títulos dos Jogos Pan-Americanos.

Valéria Kumizaki é uma das seis caratecas brasileiras inscritas em Paris no feminino. Foto: Abelardo Mendes Jr./ rededoesporte.gov.br

Competição olímpica

Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, as competições do caratê serão disputadas nos últimos dias do megaevento, entre 6 e 8 de agosto. O palco será o mesmo que antes receberá o judô. A Nippon Budokan é uma arena historicamente conectada com as artes marciais no Japão e foi criada para os Jogos Olímpicos de 1964. A instalação recebeu em 2019 o Mundial de Judô.

Investimentos federais

Valéria, Douglas e Vinicius são integrantes da categoria pódio, a mais alta do Bolsa Atleta, da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania. O investimento federal nos três é de R$ 37 mil, ou de R$ 444 mil por ano. Ao todo, nove dos dez atletas inscritos na Premier League são contemplados em alguma das categorias do programa, num aporte mensal de R$ 45.325, ou R$ 543,9 mil por ano.

Levando em conta a modalidade como um todo, o caratê tem atualmente 140 contemplados pelo Bolsa Atleta, num investimento de R$ 2 milhões por ano. São 65 mulheres e 75 homens, com 99 inscritos na categoria nacional e 41 na categoria internacional.

BRASILEIROS NA PREMIER LEAGUE DE PARIS

Feminino
Valéria Kumizaki (-55kg)
Stephani de Lima (-61kg)
Sabrina Pereira Zefino (-61kg)
Barbara Hellen Rodrigues (-68kg)
Natalia Spigolon (-68kg)
Isabela Rodrigues (+68kg)

Masculino
Douglas Brose (-60kg)
Rafael Nascimento (-60kg)
Vinicius Figueira (-67kg)
Diego Silva Moraes (-84kg)

 

 

 


fonte: Gustavo Cunha - rededoesporte.gov.br

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