Cercada de campeões mundiais em sua trajetória, Dayanne Silva sonha com Tóquio

Ídolos da natação paralímpica, como Clodoaldo Silva, Susana Schnarndorf e Ana Carolina Santiago inspiram a atleta a projetar a vaga paralímpica nos 50m borboleta

Atualmente com 28 anos, a nadadora potiguar Dayanne Silva, que possui uma má formação congênita nos membros superiores, é dona de respeitável coleção de conquistas. O primeiro capítulo foi escrito em 2009, aos 17 anos, na primeira viagem internacional. Dayanne voltou do Parapan juvenil de Bogotá (Colômbia) com um ouro e um bronze.

Logo depois, já na categoria adulta, iniciou a série de três conquistas em três edições seguidas de Parapans. Uma medalha de cada cor na classe S6 (atletas com deficiências físico-motoras são divididos em 10 classes, e, quanto menor a classe, maior a deficiência). Nadando os 50 metros estilo borboleta, ela foi bronze em Guadalajara 2011 e ouro em Toronto 2015, com direito ao recorde do campeonato. No revezamento 4x100 medley levou a prata em Lima 2019. Ela faturou ainda outras três medalhas no Parapan Universitário de 2018 em São Paulo (dois ouros e uma prata).

Foto: Ale Cabral/CPB

Além disso, a potiguar é recordista brasileira da classe S6 nos 50m borboleta (41s08) e nos 100m costas (1min44s). Estes resultados ela atribui à ação de um anjo. É desta forma que ela se refere a Francisco Avelino, vizinho da família da atleta no Rio Grande do Norte e dono de três medalhas paralímpicas nos Jogos de Sydney e Atenas: “Antes mesmo do meu nascimento, as famílias já se conheciam. Foi ele quem me apresentou o paradesporto. Ele me incentivava demais. Dizia que viajaria bastante através do esporte e traria muitas conquistas. O Clodoaldo Silva e ele treinavam comigo no meu início. E sempre diziam que a natação não tinha segredo. Era só treinar muito. E isso acabei sentindo na pele”.

“Em 2016 fiquei na reserva e acabei não participando. Agora é melhorar cada vez mais meus próprios tempos para ficar cada vez mais perto de carimbar o passaporte para Tóquio”
Em 2013 chegou a hora de a nadadora sair do Rio Grande do Norte e morar sozinha, longe dos pais. A primeira parada foi em Uberlândia (Minas Gerais) para defender o Praia Clube até 2016. Em 2017 seguiu para São Paulo e ingressou na equipe da seleção brasileira que treina no Centro de Treinamento Paralímpico da capital paulista: “Meus pais sempre ficaram torcendo por mim lá de Natal. É difícil tirá-los do Nordeste, pelo trabalho deles e também porque eles gostam de lá. Mas estou muito bem aqui”.

Atualmente, além de treinar no CT paulista, ela faz parte da equipe do Grêmio Náutico União de Porto Alegre, por indicação da Susana Schnarndorf, medalhista paralímpica e campeã mundial: “Ela é demais. É dona de uma das histórias mais inspiradoras do esporte. E me passa muitas dicas. Foi através dela que, depois de passar pelo Vasco, ingressei na equipe do União. A Ana Carolina Santiago, campeã mundial em Londres no ano passado nos 50 metros livre da S12 (deficientes visuais), também está na equipe. Um time muito forte. É bom fazer parte dele”.

Tóquio, um sonho

É assim que a jovem corre atrás do principal sonho da carreira, estrear nos Jogos Paralímpicos em Tóquio, mas com cautela: “Estamos passando por um período de dúvidas, né? Não sabemos nem mesmo se os Jogos acontecerão. Mas é claro que gostaria muito de estar lá”.

Com as competições paradas desde março em razão da pandemia do novo coronavírus (covid-19), e sem previsão de data para retomada, as certezas da Dayanne Silva são duas: A prova na qual buscará o índice, os 50m borboleta, e a marca a ser alcançada, 39s16. “Em 2016 fiquei na reserva e acabei não participando. Agora é melhorar cada vez mais meus próprios tempos para ficar cada vez mais perto de carimbar o passaporte para Tóquio”, encerra.

 

 

 

 


Fonte: Agência Brasil

Saúde & Bem Estar

More Articles

Tecnologia

More Articles