Batman: Arkham Knight

Título final da franquia é excelente porque arrisca mais, mas também erra mais por isso. Confira!

Batman: Arkham Knight é o terceiro e (por enquanto) último lançamento do Homem-Morcego de autoria da Rocksteady e a desenvolvedora levou não só o personagem, mas também seu trabalho aos limites para a criação desse título. A maior novidade aqui é a aguardadíssima introdução do Batmóvel, além da chegada do novo vilão que dá nome ao jogo.

História

O enredo de Batman: Arkham Knight faz a mesma coisa que a Rocksteady tenta fazer em todo o jogo, ou seja, ele tenta ser maior, mais complexo e mais épico. E na maior parte do tempo ele consegue, mas ter uma abragência tão maior também expõe a história a cometer alguns erros, o que acontece. Isso, em maneira alguma, significa que a história é ruim.

A trama se passa logo após o Espantalho ameaçar Gotham com uma arma química, o que causa uma evacuação completa da cidade. Boa "desculpa" pro jogador só encontrar criminosos pelas ruas e não se preocupar em atropelá-los com o batmóvel (que tem um campo de força semi-mágico que, de alguma maneira, impede que eles morram com o impacto). Indo atrás de seu inimigo desfigurado por Killer Croc no primeiro game, o jogador vai se deparar com um novo personagem, o Arkham Knight, cuja identidade é um mistério. O enredo se desenrola a partir daí e, como toda boa história, fica cada vez mais interessante. E cada vez mais sombrio.

Como dito anteriormente, a história não é perfeita. Algumas pontas ficam soltas, alguns momentos mal explicados e, principalmente, seria melhor se os grandes vilões ficassem mais integrados à história principal, como é feito nos games anteriores. Em Arkham Knight, a maioria dos vilões aparece para oferecer missões paralelas apenas. Não é ruim, mas não é o ideal.

Ainda com seus erros, a história deste título é excelente. Há muitos momentos emocionais e certamente impactantes. Mesmo a identidade verdadeira de Arkham Knight se mostrando não ser um segredo tão grande assim, a revelação final continua feita com muita qualidade no desenvolvimento. E essa é a questão central deste game: o importante não é só a narrativa que está sendo contada, mas como ela é contada. As transições de cenas, as perspectivas, a ordem dos acontecimentos, tudo contribui para uma ambientação incrível e a completa imersão do jogador, que é sempre o objetivo final da desenvolvedora nessa série. Destaque, por exemplo, para a sequência da missão extra em que Lucius Fox fica em perigo.

ESSA É A QUESTÃO CENTRAL DESTE GAME: O IMPORTANTE NÃO É SÓ A NARRATIVA QUE ESTÁ SENDO CONTADA, MAS COMO ELA É CONTADA.

É difícil falar mais da história sem entregar spoilers. Mas, em resumo, ela é boa o suficiente não só para prender o jogador, mas também certamente é um final digno para a franquia.

Jogabilidade

É aqui que a fórmula do "acerta mais porque ousa mais, mas também erra mais pelo mesmo motivo" aparece bastante. Mais precisamente em questão ao aguardadíssimo Batmóvel.

A Rocksteady nunca fez segredo que queria implementar o Batmóvel na franquia e Arkham Knight deixa claro o porquê: era só isso que faltava para a experiência final de "simulador de Batman" do jogo. Depois de finalmente dominar os novos elementos trazidos pelo veículo, é de uma satisfação difícil de descrever para os fãs do Batman poder saltar para fora e para dentro do carro, de maneira fluida e natural. Alcançar uma missão e se lançar para fora do Batmóvel para planar com precisão até o objetivo dá até vontade de dizer "I'm Batman".

Aí o carro vira um tanque. E o jogador é lançado para fora de sua imersão para ficar brincando de "desvie das linhas coloridas". Não que as batalhas contra os drones sejam um tédio, não são. São até divertidas. Mas eventualmente elas cansam e, o pior, são muito contra-imersivas e, num jogo que se propõe tanto à imersividade completa do jogador, isso é um erro grave. Isso não significa que o "modo tanque" do batmóvel seja todo um erro. Resolver alguns puzzles alternando o controle entre o herói e o carro ficou muito divertido e adicionou um diferencial excelente para o gameplay. Mas as batalhas, realmente, não são o ponto alto do game.

EVENTUALMENTE, AS BATALHAS COM "BAT-TANQUE" CANSAM, ALÉM DE SEREM MUITO CONTRA-IMERSIVAS, UMA FALHA GRAVE PARA ESTE GAME.

Apesar de roubar a cena, o Batmóvel não é a única novidade na jogabilidade de Arkham Knight. Na verdade, a Rocksteady fez mudanças muito grandes no gameplay, que geralmente não vemos desenvolvedoras terem "coragem" de fazer numa continuação. E tudo muito bem-vindo. As novidades tiram jogadores veteranos de suas zonas de conforto e os obrigam a aprender novos truques. Principalmente contra a milícia, que foi treinada pelo Arkham Knight especialmente para lidar com o Batman. Jogando o terceiro (ou quarto) game da franquia, o jogador já vai ter certos vícios, como eu, que prefiro depender das gárgulas em missões de furtividade. Depois do segundo ou terceiro capanga derrubado, logo vem a voz do vilão avisar aos seus soldados que tática estou usando, e eles começam a me encontrar nas gárgulas. É imersivo e divertido.

AS NOVIDADES DO GAMEPLAY TIRAM JOGADORES VETERANOS DE SUAS ZONAS DE CONFORTO E OS OBRIGAM A APRENDER NOVOS TRUQUES.

Outros destaques vão para o "Fear Takedown", que permite derrubar vários capangas em sequência, para os nocautes feitos interagindo com o cenário, muito bem-vindos ao já tão digno de elogio combate do game e, principalmente, o "dual-play", quando o jogador alterna entre o Batman e um de seus parceiros durante uma luta. Esse novo recurso era um motivo de preocupação pessoal e acabou se tornando uma das novidades mais divertidas do game.

Uma campanha de duração sólida e muitas missões alternativas totalizam um jogo grande, completo e que vai garantir muitíssimas horas de jogo, espalhadas por uma cidade gigantesca e cheia de segredos.

Gráficos

Os gráficos de Arkham Knight foram o ponto mais polêmico deste lançamento, porque o que eles têm de ruim na performance do PC, eles têm de bom na dos consoles. O lançamento da versão do game na Steam foi terrível, mas a performance que ele alcançou no Xbox One é surpreendente. É possível dizer que o cuidado da Warner para os vídeo games foi tão grande quanto seu descaso para os PCs.

 OS GRÁFICOS DE ARKHAM KNIGHT FORAM O PONTO MAIS POLÊMICO DESTE LANÇAMENTO, PORQUE O QUE ELES TÊM DE RUIM NA PERFORMANCE DO PC, ELES TÊM DE BOM NA PERFORMANCE DOS CONSOLES.

O jogo abusa do poder de processamento da máquina, com inúmeros elementos sendo renderizados ao mesmo tempo. Não é só a chuva que é constante na primeira parte do game, mas, conforme o jogador avança, o cenário de Gotham muda completamente, e tudo é um espetáculo visual, feito com riqueza de detalhes e de uma qualidade impressionante. E isso tudo rodando constantemente a 30fps, sem parar para carregar nenhuma vez, só se o personagem morre. Em combates com inúmeros capangas, entrando e saindo do batmóvel, ligando e desligando a visão de detetive, o jogo mantém seu desempenho e seus lindos gráficos.

Fora questões técnicas, a estética e a ambientação estão perfeitos. O nível de cuidado com cada detalhe para garantir a imersão do jogador na Gotham imaginada pelos criadores do game é nítido em cada esquina. O cenário é quase que completamente destrutível e mesmo as estátuas que só estão ali para virar entulho ajudam a compor o cenário com perfeição. Destaque para, depois de prender seu arpéu para se lançar pelos ares, o jogador perceber que está escalando um prédio da Lex Corp.

Som

O elenco de vozes escaladas para dublar este título é impecável. O destaque aqui vai, sem dúvida, para John Noble dublando o Espantalho. É ameaçador, profundo e rancoroso, mas ao mesmo tempo mostra uma calma e um controle que um super vilão precisa ter para dominar uma cidade pelo medo. Mas não só o elenco de vozes, a trilha sonora, a sonoplastia (principalmente dos gadgets), tudo apenas contribui para a imersão do jogador.

o melhor, este título é o primeiro com dublagem também em português brasileiro. Na nossa versão, nem todas as vozes acertam e, muito infelizmente não temos o Márcio Seixas dublando o Homem-Morcego, mas o trabalho está acima da média e precisa ser reconhecido. O ponto negativo aqui, na verdade, vai pela insistência da Warner em lançar mais um game sem a opção de trocar o áudio dentro do jogo.

O PONTO NEGATIVO AQUI, NA VERDADE, VAI PELA INSISTÊNCIA DA WARNER EM LANÇAR MAIS UM GAME SEM A OPÇÃO DE TROCAR O ÁUDIO DENTRO DO JOGO.

Seria a coisa mais simples do mundo, simplesmente deixar o jogador escolher o áudio que quer ouvir em sua jogatina. Mas não, ele tem que passar pelo estorvo de trocar o idioma de todo o sistema, o que seria totalmente desnecessário se essa opção existisse no game. E o pior é que, assim, torna-se impossível jogar com o áudio em inglês e legendas em português, configuração ideal para muitos jogadores.

Conclusão

Batman: Arkham Knight certamente traz um final digno para a franquia que consagrou o Batman no mundo dos jogos. O gameplay se expande de maneira divertida e desafiadora para jogadores veteranos, o que acaba não sendo muito convidativo para novos jogadores, mas entrega tudo que os fãs dos títulos anteriores esperam. A história é bem escrita e se desenrola de maneira muito envolvente, o batmóvel é muito satisfatório de ser dirigido e, se o game não acerta em tudo que faz, ele acerta na maioria, e no suficiente para ser imperdível.

Por fim, os três games desenvolvidos pela Rocksteady formam um arco independente dentro do universo de Batman pra fã nenhum botar defeito. Enquanto ele pode não alcançar grandes clássicos como "A Piada Mortal" ou "O Retorno do Cavaleiro das Trevas", ele não fica muito atrás. E definitivamente posso dizer que a noite do Arkham Knight foi até mais longa que o Halloween de 1996.
 

PRÓS
Excelente conclusão para a franquia
Dublagem impressionante
Dual-Play
Gráficos incríveis nos consoles
Grande variedade de missões
Mapa gigantesco
Batmóvel
   

CONTRAS
Falta de opção para mudar o áudio "in-game"
Super vilões deixados de fora da história principal
Número exagerado de DLCs
Bat-tanque


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