Until Dawn

[ Análise ] Experimente todas as formas de medo em um dos melhores exclusivos do PS4.

Produzido pela Supermassive Games, em parceria com a Sony, "Until Dawn" é um jogo de terror episódico que vai fazer você sentir todos os tipos de sentimentos, desde medo de fantasmas e assassinos até saber que você escolheu a opção errada e matou alguém que amava.

O efeito borboleta, a principal premissa do jogo,  pode ser explicada com a própria história do anúncio do game. O título foi apresentado primeiramente em 2012, e era uma das armas da Sony para alavancar o Playstation Move, o sistema de movimentos  do PS3 que competia com o Kinect do Xbox e o Wii, da Nintendo.

Depois de alguns adiamentos, "Until Dawn" foi reintroduzido no ano passado como exclusivo do PS4, aproveitando todos os elementos de jogabilidade do novo console, além do potencial gráfico.

Muito mais que um filme de terror com jovens

O jogo começa com um grupo de jovens festejando na montanha Blackwood, propriedade adquirida pela família Washington e que antes dava lugar a um sanatório. Durante a noite, após uma brincadeira de mal gosto, as jovens Beth e Hannah desaparecem na floresta e nunca são encontradas, deixando todo o restante do grupo traumatizado. Um ano após o ocorrido, Josh, irmão das desaparecidas, resolve reunir o grupo na montanha novamente, com o objetivo de superar a tragédia ocorrida um ano atrás.

O que os jovens não esperavam é que um psicopata estaria lá para fazer algumas brincadeiras mortais com eles. A partir daí, o jogador deve desvendar todos os mistérios da montanha e utilizar todas as suas habilidades para sobreviver até o amanhecer. O trailer de "Until Dawn" e a maioria do material de divulgação do game fazem pensar que o jogo é, basicamente, um filme de terror teen, ao estilo "Sexta-feira 13". Não, não é. São vários clichês da indústria cinematográfica do horror reunidos em um título, o que gera uma história cheia de desfechos e revelações que surpreendem.

Às vezes, quem você pensa que é o vilão na verdade é um aliado que está tentando salvar a sua vida. O contrário também acontece e quando você menos esperar, um amigo poderá ser a causa da sua morte. A trama principal dá muitas voltas e os spoilers são muitos, mas vou poupá-lo, caro leitor, e dizer apenas que a história é ponto forte do jogo.
 

O efeito borboleta permite que o jogador chegue ao final da trama de diversas formas diferentes. Devido as diversas ramificações possíveis no enredo, "Until Dawn" não é um game para ser jogado apenas uma vez. A história possui diversos caminhos, segredos escondidos e mistérios secundários. Quando o jogo é terminado pela primeira vez, é possível voltar nos capítulos e jogar novamente, o que torna "Until Dawn" perfeito para quem gosta de platinar.

Na maioria do tempo, o jogador toma o controle alternado de oito personagens: Sam, Josh, Mike, Jessica, Emily, Matt, Chris e Ashley.  Durante o jogo, dá para deixar todos os oito personagens vivos, fazer com  que apenas os seus preferidos sobrevivam ou até mesmo promover uma chacina e tirar a vida de todos. As possibilidades são inúmeras e as escolhas do jogador estão diretamente ligadas a vida ou morte dos protagonistas. Todas as escolhas que o jogador faz, desde as mais bestas como escolher entre o caminho mais rápido ou seguro ou concordar ou discordar da opinião de um amigo, influenciam no futuro da história e podem levar a morte de um dos protagonistas.
 

UNTIL DAWN NÃO É UM GAME PARA SER JOGADO APENAS UMA VEZ. COM O EFEITO BORBOLETA, A HISTÓRIA POSSUI DIVERSOS CAMINHOS, SEGREDOS ESCONDIDOS E MISTÉRIOS SECUNDÁRIOS, O QUE TORNA O JOGO PERFEITO PARA QUEM GOSTA DE EXPLORAR VARIANTES
 

Cada personagem possui seu status de sentimentos e relacionamento com os outros protagonistas. Estes status (coragem, curiosidade, aventureiro/a) mudam de acordo com as escolhas que o jogador faz. Se você está com a Sam e ela protagoniza uma ato de coragem, por consequência, sua barra de coragem irá aumentar. O relacionamento com os outros personagens também varia de acordo com as opções escolhidas pelo jogador. Isso tudo influi na jogabilidade, pois em momentos-chave, um personagem pode deixar o outro morrer simplesmente por não gostar dele.

"Mas e quando alguém morre?" Bom, quando alguém morre você supera e segue o jogo sem um dos protagonistas. Não existem furos na história e é possível continuar até o final mesmo que um dos jovens deixe o jogo nos primeiros episódios.

O jogador também deve estar preparado psicologicamente, pois o game aborda todos os tipos de medo e vai tentar te assustar utilizando tudo o que é possível: fantasmas, assassinos, monstros. Nos primeiros capítulos, "Until Dawn" é um jogo de sustos, onde todo o potencial da ambientação é aproveitado para fazer o jogador pular da cadeira, e momentos realmente aterrorizantes só aparecem com o desenvolvimento da trama. A classificação do game é para maiores de 18 e a história é bem pesada, então, é melhor não colocar crianças para brincar nesse joguinho.
 

A mitologia, o futuro e o Efeito Borboleta
 

Um ponto interessante da história de "Until Dawn" é como a  produtora explicou o Efeito Borboleta e os eventos sobrenaturais que existem no game: utilizando a mitologia do local onde o jogo se passa, as montanhas norte-americanas.

O Efeito Borboleta tem esse nome porque as tribos indígenas do norte dos Estados Unidos e Canadá acreditavam que algumas espécies de borboletas traziam premonições e acontecimentos do futuro. No game, não encontramos os insetos em si, mas sim totens de madeira com borboletas desenhadas e que trazem uma visão do futuro.

Os totens são divididos em quatro tipos (morte, orientação, perda, perigo, fortuna), ficam espalhados pelo cenário e são úteis na hora do jogador tomar as decisões mais pesadas. Por exemplo, os totens com uma borboleta preta trazem a visão de como um dos personagens irá morrer. Sabendo como o personagem será assassinado, você pode tomar as decisões mais plausíveis para impedir a morte dele.

Os totens também estão ligados aos "Eventos do Passado": quanto mais artefatos você encontrar, mais clara fica a misteriosa história da Montanha Blackwood, que envolve um sanatório abandonado, um assassino que deixou a prisão recentemente, um desabamento onde vários mineiros morreram e seres sobrenaturais ligados ao canibalismo (tem muita coisa para explorar).

O analista: utilizando a metanarrativa para aumentar a imersão

Nos primeiros capítulos de "Until Dawn" o jogo é bem calmo e bastante focado nas relações entre os personagens, mas um elemento paralelo a história chama bastante a atenção: as consultas com o analista, Dr. Alan Hill (interpretado por Peter Stormare).

Esta, sem dúvida, é a parte onde "Until Dawn" se supera no quesito imersão. O psicólogo praticamente fala com o jogador com o objetivo de descobrir seus medos. As consultas acontecem no intervalo de cada episódio e o doutor faz uma série de perguntas relacionadas aos temores de quem joga, além de conversar sobre os personagens do game e as escolhas que você está fazendo.

É interessante notar que o cenário onde ocorrem as seções muda de acordo com as respostas do jogador e vai ficando mais sombrio e assustador. Por exemplo, se você diz ao doutor que não gosta de cobras, no próximo encontro haverá uma cobra em algum lugar da sala. No decorrer dos episódios, todos os medos estudados pelo analista acabam aparecendo na história e, no final das contas, o jogador acaba experimentando todo o tipo de medo, desde ratos e baratas até seres sobrenaturais e serial killers.

Movimentos lentos, escolhas duras e bom aproveitamento dos recursos do PS4

Antes de tudo, é bom deixar claro que se você está em busca de um game com cenário aberto e cheio de ação, "Until Dawn" não é para você. Ao estilo de títulos como "Heavy Rain" e "Life Is Strange", o jogo da Supermassive Games tem uma história que leva o jogador, que terá uma experiência incrível se mergulhar de cabeça.

Um dos pontos negativos de "Until Dawn" é a lentidão no movimento dos personagens. Jogos desse gênero, onde o cenário deve ser explorado com cautela, costumam ser lentos, mas os desenvolvedores exageraram um pouquinho em "Until Dawn". Nos momentos em que toma o controle de um dos personagens, o jogador pode caminhar ou então, no máximo, andar rapidinho. Os protagonistas só correm nas cenas cinemáticas.

Mesmo quando o ambiente é favorável (uma trilha aberta e um monstro vindo te pegar), você não pode correr. A interação com os objetos, apesar de ser detalhada, também é demorada. O jogador acaba se acostumando com isso, mas no começo é bem chatinho. Se você é um pouco impaciente, como eu, isso vai te incomodar também na hora de rejogar os capítulos, pois a velocidade do jogo não aumenta e os cenários são os mesmos. Mas é algo tolerável.

SE VOCÊ ESTÁ EM BUSCA DE UM GAME COM CENÁRIO ABERTO E CHEIO DE AÇÃO, "UNTIL DAWN" NÃO É PARA VOCÊ

O fato de "Until Dawn" ter saído apenas no PlayStation 4 foi aproveitado pela Supermassive Games. O touchpad do controle é muito bem utilizado diversas vezes durante o jogo, e de forma plausível como desbloquear o smartphone e manusear objetos pequenos. Outro ponto que merece destaque é o bom uso do sensor de movimento. Imagine você, na vida real, se escondendo de um assassino e tentando fazer o mínimo de barulho possível para não ser encontrado. É isso que acontece em "Until Dawn". O jogo cria uma atmosfera tensa e você deve ficar parado para escapar de situações críticas. Qualquer movimento no controle pode ser fatal. Principalmente nos últimos capítulos, o uso do sensor de movimentos faz todo o sentido e é essencial para a história.

Na questão da jogabilidade, as escolhas e o efeito borboleta também ganham pontos positivos. Praticamente todas as escolhas tem alguma mínima consequência e as mais críticas despertam muita dúvida e exigem muito do jogador: quem você mataria? O seu melhor amigo ou a garota por quem sempre foi apaixonado? Além disso, o jogo aproveita mais uma opção que, às vezes, é deixada de lado por jogos desse gênero: não fazer nada. Em algumas situações, você pode optar por não escolher nenhuma das alternativas dadas pelo game.

Nas cenas de ação (sim, existem cenas de ação), o jogador deve apertar os botões no tempo certo e, quando está com uma arma, posicionar a mira e atirar. Tudo parece bem simples, mas a ambientação do jogo faz tudo ficar tenso e mais difícil. Neste ponto, o jogo parece muito com um filme interativo, mas a produtora se esforçou pra deixar o "longa-metragem" o mais jogável possível, o que gerou umas sequências desnecessárias. Em algumas situações, apertar ou não os botões de ação não faz diferença nenhuma, eles só aparecem na tela para o jogador ter algo pra fazer durante a cena.

Gráficos e som de qualidade geram uma ambientação perfeita para o game

Como na maioria dos jogos exclusivos do PS4, os gráficos realistas e bem definidos são um dos fortes de "Until Dawn". A equipe da Supermassive Games não poupou recursos quando montou o elenco principal d o game e trouxe vários atores conhecidos para a história. A trama inclui astros como Hayden Panettiere, da série de TV "Heroes", Brett Dalton, de "Agents od Shield" e "Rami Malek", que atua no seriado "Mr Robot". Apostar em atores famosos é uma jogada bem arriscada pelo fato das caras já serem conhecidas, pois os gráficos e a dublagem devem estar impecáveis, mas a produtora caprichou e é fácil de reconhecer os atores famosos, tanto pela voz quanto pelo rosto.

Hayden Panettiere e Brett Dalton são alguns dos atores presentes em "Until Dawn". Você pode conhecer todo o elenco neste vídeo.

Nas cenas de morte, os gráficos também não decepcionam e ajudam na hora de fazer o jogador ficar com medo. Os desenvolvedores do jogo trabalharam em conjunto com cientistas e historiadores para recriarem com o máximo de exatidão os seres sobrenaturais e as cenas sanguentas do jogo, o que tornou tudo bastante realista, lembrando filmes e seriados icônicos do gênero de terror, como "Sexta-Feira 13", "Jogos Mortais" e série de TV "Supernatural".

Um pequeno descaso com os gráficos pode ser visto no cabelo dos personagens e também no pelo dos lobos, que podiam ser mais trabalhados. Fora isso, no geral, "Until Dawn" tem gráficos muito bons.

A trilha sonora de "Until Dawn" se encaixa perfeitamente com o jogo e cria um clima de tensão e terror. O responsável pelo áudio de "Until Dawn" é Jason Graves, que já tem bastante experiência com músicas de horror e suspende. O produtor musical trabalhou na trilha sonora da franquia "Dead Space", em "Tomb Raider"(2013) e "The Order". Graves merece palmes pela música tema do jogo, uma versão inédita de "o Death", de Jen Titus. A faixa aparece na abertura e nos créditos do game, sendo perfeita para a ocasião (e tão boa quanto a versão original).

Outro ponto interessante é a boa utilização da música reativa: quando você se aproxima do perigo ou algo assustador está se passando no plano de fundo, dá para perceber uma mudança na música, que fica mais alta ou mais forte. Essa utilização dos efeitos sonoros, aliado aos gráficos e, acredite, a movimentação lenta, deixam o jogo muito tenso, afinal, você não pode sair correndo e a música indica que algo feio e perigoso está chegando. O que você pode fazer: só aceitar o destino e enfrentar o medo.

Conclusão

"Until Dawn" é perfeito para os jogadores apaixonados por "Heavy Rain", "Life is Strange" e jogos que exigem muito na hora de fazer escolhas, mas não possuem uma carga elevada de ação. A movimentação lenta dos personagens é compensada com cenários bem feitos, elementos para serem encontrados e as possíveis ramificações na história. Quem gosta de filmes de terror também deve jogar, pois o título traz várias experiências que lembram clássicos do cinema, como "Sexta-feira 13", "Jogos Mortais", e séries de TV como "Supernatural".

Sem dúvidas, "Until Dawn" é um dos melhores exclusivos já lançados no PS4 e traz uma das melhores experiências com games de terror disponíveis nos videogames. Até mesmo para quem não gosta tanto de games episódicos (ou filmes interativos), esse jogo pode ser muito divertido e, é claro, trazer muitos sustos.
 

PRÓS
Bom aproveitamento da temática de terror
Narrativa envolvente e cheia de revelações
Elenco conhecido
Ambientação e imersão bem trabalhados
Uso relevante do sensor de movimentos do PS4
Ramificações e escolhas que fazem a diferença
Ótimo para quem gosta de platinar
versão de 'o Death' feita por Jason Graves
   

CONTRAS
Movimentação lenta em comparação a outros jogos do gênero
Lentidão na hora de manusear objetos
Sequências de botões que não fazem diferença


Fonte Adrenaline Games

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