Fifa bane Marin do futebol pelo resto da vida

Ex-presidente da CBF é multado e banido do futebol após condenação por corrupção. Investigação revelou envolvimento de Marin em vários esquemas de suborno no âmbito de competições.

José Maria Marin foi condenado por aceitar subornos em troca de concessões de direitos comerciais de competições

O Comitê de Ética da Fifa confirmou em segunda instância o banimento permanente do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin do futebol. A entidade divulgou a decisão num comunicado nesta segunda-feira (15/04).

O ex-dirigente de 86 anos foi banido por toda a vida de atividades ligadas ao futebol, sejam elas em nível nacional ou internacional. Além disso, a Fifa impôs uma multa de 1 milhão de francos suíços – o equivalente 3,8 milhões de reais. Trata-se de uma multa padrão aplicada a vários cartolas acusados ou condenados por irregularidades. Não está claro como a Fifa pretende impor o pagamento.

"A investigação sobre o senhor Marin revelou vários esquemas de suborno, em particular entre 2012 e 2015, na relação com seu papel de conceder contrato a empresas para direitos de mídia e de marketing de competições da Conmebol, Concacaf e CBF", diz trecho do comunicado da Fifa.

Marin tinha sido banido pela Fifa de forma provisória em 2015, mas somente agora o Comitê de Ética julgou o mérito da causa. Cabe recurso ao Comitê de Apelações da Fifa.

A decisão da Fifa de banir Marin de forma permanente veio oito meses depois de ele ter sido condenado, em agosto de 2018, a quatro anos de prisão por lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa e fraude financeira por aceitar subornos ligados a contratos de torneios como a Libertadores e a Copa América.

Em seu julgamento na Corte Federal do Brooklyn, em Nova York, a promotoria americana disse que Marin recebeu 6,55 milhões de dólares em subornos das empresas Torneos y Competencias, Full Play e Traffic em troca da concessão de contratos televisivos e de marketing.

O ex-cartola foi considerado culpado de seis acusações: conspiração para recebimento de dinheiro ilícito, conspiração para fraude relativa à Copa Libertadores, conspiração para lavagem de dinheiro relativa à Copa Libertadores, conspiração para lavagem de dinheiro relativa à Copa do Brasil, conspiração para fraude relativa à Copa América e conspiração para lavagem de dinheiro relativa à Copa América.

Além da pena de quatro anos de prisão, Marin foi condenado a pagar uma multa de 1,2 milhão de dólares e devolver 3,3 milhões de dólares.

Marin tinha sido preso num hotel luxuoso de Zurique em 27 maio de 2015, como parte de uma abrangente investigação americana de corrupção ligada a autoridades da Fifa. Depois de passar cinco meses numa prisão na Suíça e ser extraditado para os EUA, Marin pagou uma fiança de 15 milhões de dólares e passou dois anos em prisão domiciliar em seu apartamento na Trump Tower.

Marin assumiu a presidência da CBF em 2012, após a renúncia de Ricardo Teixeira. Quando foi preso em 2015, Marin acabara de ser substituído por Marco Polo del Nero na presidência da CBF. Marin foi também presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) entre 1982 e 1988 e chefe da delegação brasileira na Copa do Mundo de 1986, no México.

Antes de sua carreira como dirigente esportivo, Marin atuou na política. Em 1963 foi eleito vereador em São Paulo, filiado ao Partido de Representação Popular (PRP). EM 1969, tornou-se presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Entre 1971 e 1979, foi deputado estadual, e entre 1979 e 1982, vice-governador de São Paulo. Entre 1982 e 1983, exerceu o cargo de governador por dez meses, após o então governador, Paulo Maluf, decidir disputar uma vaga de deputado federal.

 

 

 

 


fonte: DW
PV/ap/afp/ots

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