Entenda a diferença entre epidemia e pandemia

Ambos os termos são usados em conexão com a disseminação de doenças. Com o surto atual de coronavírus, muitos têm empregado "epidemia" e "pandemia" de forma incorreta.

Máscaras de proteção em Hanói, Vietnã, revelam temor de contaminação com o coronavírus

Epidemia e pandemia são palavras que assustam. Imediatamente se pensa num sistema de saúde sobrecarregado, máscaras de proteção e o aumento do número de mortos. Essas associações são compreensíveis, mas inicialmente não têm nada a ver com a definição dos termos.

Uma epidemia é quando uma doença ocorre com frequência incomum numa determinada região e por um período de tempo limitado. Pandemia, por sua vez, é uma epidemia que se alastra para além das fronteiras de um determinado país ou mesmo continente.

Isso significa que o sucesso do controle da doença dependerá da cooperação entre os sistemas de saúde de diferentes países, e não que uma doença seja particularmente perigosa ou fatal. Portanto o oposto geográfico de uma pandemia é uma endemia.

Endemia: ameaça constante

Uma doença que ocorre regularmente em certas regiões é chamada de endêmica. No caso de uma endemia, o número de doentes permanece relativamente constante ao longo do tempo.

A incidência da doença é maior numa região do que em outras, mas não aumenta com o tempo. Num certo período, há aproximadamente o mesmo número de novos casos. Um exemplo típico é a malária, que afeta 300 milhões em todo mundo a cada ano, principalmente nos trópicos.

Epidemia: uma região apenas

Se o número de doentes numa determinada região ultrapassa o nível (endêmico) normalmente esperado, fala-se de uma epidemia. Se os casos de doença são limitados a um local, costuma-se falar de surtos.

Uma epidemia ocorre, por exemplo, quando a virulência de um patógeno específico muda: um vírus sofre mutação e se torna mais contagioso. Mesmo no caso de enfermidades recém-introduzidas numa determinada área, isso pode resultar numa epidemia. O pré-requisito é que uma doença possa ser transmitida de pessoa para pessoa.

Um exemplo disso é a varíola, que os conquistadores europeus introduziram nas Américas desde o início do século 16. Como a população indígena nunca estivera antes em contato com os patógenos, não tinha qualquer resistência. Algumas projeções afirmam que até 90% da população indígena das Américas foi vítima de varíola.

Pandemia: propagação mundial

Se uma doença se dissemina não apenas regionalmente, mas entre países e continentes, os especialistas se referem a uma pandemia.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, as pandemias são causadas principalmente por novos patógenos ou tipos de vírus. Por exemplo, podem ser zoonoses, ou sejam, doenças transmitidas de animais para humanos.

Se uma moléstia é nova entre seres humanos, poucos estarão imunes ao vírus. Neste caso, tampouco há vacinas, e o número de enfermos costuma ser alto. O grau de periculosidade ou mortalidade de uma doença depende do vírus específico e do estado de saúde do paciente.

Mesmo que uma moléstia seja inofensiva na maioria dos casos, em termos percentuais, numa pandemia o número casos graves pode ser muito alto. Isso se deve simplesmente ao fato de, no total, haver um número muito grande infecções com os patógenos.

A gripe é o exemplo de uma doença que repetidamente assume proporções pandêmicas. A gripe espanhola de 1918, com 25 milhões a 50 milhões de vítimas, matou mais do que a Primeira Guerra Mundial. A gripe suína também desencadeou uma pandemia em 2009.

Mesmo no caso de uma pandemia, áreas isoladas podem ser poupadas da doença, tais como ilhas ou regiões montanhosas. No entanto o tráfego aéreo favorece a disseminação de pandemias.

Os termos epidemia e pandemia normalmente se referem a doenças infecciosas. Como eles transmitem uma necessidade de ação urgente, às vezes são também usados em relação a doenças não transmissíveis – por exemplo: uma epidemia de diabetes.

 

 

 


fonte: DW

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