Sem papel, jornal centenário deixa de circular na Venezuela

Crise econômica atinge em cheio a imprensa venezuelana. Em quatro estados, jornais deixam de ser publicados devido à escassez de papel. Desde 2013, país já perdeu 67 veículos impressos.

Jornais impressos estão sumindo na Venezuela

O jornal venezuelano Panorama anunciou nesta segunda-feira (13/05) que, depois de mais de um século, sua versão impressa deixará de circular devido à falta de papel. O diário era o único veículo impresso restante do estado de Zulia, no noroeste do país.

"Esgotado nosso inventário de papel, a edição impressa do Panorama diz até breve aos seus fiéis leitores. Nossa tarefa de informar continuará com a mesma responsabilidade e dedicação no nosso site", informou o jornal na sua primeira página.

Fundado em dezembro de 1914, o diário afirmou ainda que publicará na sua última edição nesta terça-feira um especial de despedida. Ele se junta a uma lista de diários e revistas venezuelanas que deixaram de circular devido à escassez de papel.

Com o fim da circulação do Panorama, Zulia perdeu seu último jornal impresso. Esse é o quarto estado venezuelano nesta situação.

Na Venezuela, a estatal Complexo Editorial Alfredo Maneiro (CEAM) detém o monopólio da venda de papel para a imprensa. Em dezembro de 2018, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) denunciou a monopolização do papel promovida pelo governo de Nicolás Maduro e afirmou que a censura do regime levou ao fim da circulação da edição impressa do jornal El Nacional, crítico do governo.

Desde 2013, a Venezuela já perdeu 67 jornais e revistas. "Há 15 anos, a Venezuela tinha cerca de 110 veículos impressos e atualmente há apenas 30 em todo o país", afirmou Mariengracia Chirinos, da ONG Instituto de Imprensa e Sociedade.

Em 2013, o governo Maduro modificou as condições de controle cambial e retirou o papel para a imprensa dos setores prioritários com acesso a dólares com a taxa oficial. Soma-se à mudança a crise econômica que atinge o país.

Desde 2018, a Venezuela enfrenta uma hiperinflação. O país sofre ainda com a escassez de alimentos, produtos básicos e medicamentos. A crise já levou milhares de venezuelanos a deixarem o país.

 

 

 

 


fonte: DW
CN/efe/ots

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