Maduro propõe antecipar eleições legislativas para solucionar crise

Presidente da Venezuela quer adiantar pleito previsto para 2020, porém, não anuncia nova data. Em 2015, oposição conquistou maioria na Assembleia Nacional.

Pleito que reelegeu Maduro no ano passado foi amplamente criticado

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, propôs nesta segunda-feira (20/05) antecipar as eleições legislativas do país, previstas para 2020, como uma forma de solucionar pacificamente a crise política e o impasse com a oposição.

"Tenho uma proposta para as oposições: vamos nos enfrentar eleitoralmente. Vamos convocar eleições antecipadas da Assembleia Nacional para ver quem tem os votos, para ver quem ganha", disse o presidente durante um discurso. Maduro não anunciou, porém, uma data para o pleito.

A Assembleia Nacional é o único poder da Venezuela controlado pela oposição. Os críticos do chavismo conquistaram a maioria do parlamento em 2015, quando os aliados de Maduro sofreram uma grande derrota nas urnas. As próximas eleições legislativas estavam previstas para 2020.

No discurso, Maduro ainda afirmou que a Assembleia Nacional é "única instituição que não se legitimou nos últimos cinco anos", período no qual o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) organizou diversos pleitos questionados pelos críticos do governo e por parte da comunidade internacional.

A Assembleia Nacional é presidida por Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela e prometeu organizar eleições livres. O líder opositor foi reconhecido por mais de 50 países, incluindo Estados Unidos e Brasil.

Apesar de eleita em 2015, a Assembleia Nacional na prática não tem conseguido exercer suas funções desde 2016. As decisões dos parlamentares não chegam a virar lei, e eles só se reúnem quando a Assembleia Nacional Constituinte – órgão plenipotenciário instalado por Maduro em 2017 e não reconhecido por potências estrangeiras – não está em sessão.

Além das dificuldades impostas pelo chavismo, o funcionamento do parlamento também foi afetado nos últimos meses pelos vários processos contra os deputados opositores. Ao menos 30 deles estão sendo processados por diferentes crimes.

A crise política no país se agravou com a reeleição de Maduro no ano passado num pleito amplamente criticado. A maioria da oposição venezuelana não participou da eleição, por considerá-la fraudulenta ou porque seus principais líderes estavam presos ou impossibilitados de concorrer. A presença de observadores internacionais não foi permitida.

Em 23 de janeiro, Guaidó, de 35 anos, acusou Maduro de usurpar a presidência e se autodeclarou presidente, afirmando que a Assembleia Nacional se baseava na Constituição venezuelana para assumir o comando do país. Em 30 de abril, o líder opositor comandou uma tentativa frustrada de levante militar contra o chavista. Ele tem também promovido uma série de protestos contra o governo.

Maduro acusa Guaidó de tentar dar um golpe de Estado no país com a ajuda do governo dos Estados Unidos. O chavista ainda possuiu o apoio do alto escalão militar e tem como aliados a Rússia e a China.

A Venezuela enfrenta também uma grave crise econômica, marcada pela falta de alimentos e medicamentos, que já levou milhões de venezuelanos a deixarem o país.

 

 

 

 

 


fonte: DW
CN/efe/rtr/lusa

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