Trump ataca FBI após ex-conselheiro admitir que mentiu à agência

Após Flynn se declarar culpado, presidente publica série de declarações no Twitter e acaba se comprometendo ao afirmar saber que seu ex-conselheiro mentiu para a agência federal.

Donald Trump

Trump disse que reputação da agência federal está "em frangalhos", mas prometeu trazê-la "de volta à grandeza"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou duramente o FBI neste domingo (03/12). Numa série de declarações publicadas no Twitter, o mandatário republicano afirmou que a reputação da agência federal está "em frangalhos", mas prometeu trazê-la "de volta à grandeza".

O presidente afirmou que o atual diretor do FBI, Christopher Wray, "precisa limpar a casa" e que a reputação da agência federal está caindo no últimos anos, em referência ao período em que o ex-diretor James Comey a dirigiu, até ser afastado por Trump, em maio.

Trump também negou ter pedido a Comey que parasse a investigação sobre o ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn, forçado a se demitir por mentir sobre seus contatos com representantes russos. "Nunca pedi a Comey para parar a investigação sobre Flynn. Mais uma notícia falsa para cobrir outra mentira de Comey", escreveu Trump no Twitter. No Congresso, em junho, Comey afirmara que o presidente se dirigira a ele para perguntar se seria possível "deixar Flynn ir".

As mais de uma dúzia de postagens foram feitas por Trump entre o sábado e o domingo, após a notícia de que o general reformado Flynn havia se declarado culpado de mentir ao FBI sobre seus contatos com o embaixador russo nos EUA antes de Trump assumir a presidência.

Os investigadores também disseram que Flynn está cooperando com as autoridades e estaria preparado para testemunhar que recebeu instruções de "um funcionário sênior" da equipe de transição para entrar em contato com os russos.

No sábado, Trump tuitou que teve que demitir Flynn porque "ele mentiu para o vice-presidente e para o FBI. Ele se declarou culpado por essas mentiras". A mensagem dá a entender que, ao demitir Flynn, no dia 13 de fevereiro, Trump estaria ciente de que seu ex-consultor teria mentido para o FBI.

O advogado de Trump John Dowd assumiu a responsabilidade pela declaração no perfil do presidente no Twitter sobre as mentiras de Flynn, afirmando que o erro foi seu ao elaborar o texto da mensagem antes que ela fosse divulgada na rede social do presidente.

"O erro foi que eu deveria ter mencionado a mentira ao FBI numa linha separada, em referência à admissão de culpa", disse Dowd. "Mas eu coloquei tudo junto e deixei vocês malucos", afirmou o advogado à imprensa, reiterando que o presidente apenas soube das mentiras quando Flynn foi formalmente acusado por elas. "Assumo a responsabilidade", disse o advogado. "Peço desculpas por desorientar o público."

Após a série de tuítes, o senador republicano Lindsey Graham alertou o presidente que ele "tuíta e comenta sobre investigações criminais em andamento sob sua própria conta e risco. Eu tomaria cuidado se fosse o senhor, presidente."

A senadora Dianne Feinstein, a principal representante dos democratas no Comitê de Justiça do Senado, disse que o painel começa a perceber que um caso de obstrução da Justiça contra o presidente está se formando. "Vejo isso nas acusações e em alguns comentários. Vejo isso na atitude hiperfrenética da Casa Branca, nos comentários diários, nos tuítes contínuos. E, mais importante, na demissão do diretor Comey, e creio que ela aconteceu porque ele não concordou em abafar a investigação sobre a Rússia. Isso é obstrução da Justiça", declarou.

 

 


fonte: DW
RC/ap/rtr/lusa