"Provamos que a tecnologia para o Hyperloop já existe"

Brasileira, à frente de equipe de estudantes de Munique, cria protótipo de trem-bala vencedor de concurso promovido pela Space X. Modelo promete transporte ecológico a 1.200 km/h.

Mariana Avezum, de branco, com a equipe e seu protótipo de hyperloop

Uma brasileira, à frente de uma equipe de estudantes de Munique, venceu o concurso de protótipos de Hyperloop da Space X – empresa americana privada de transporte espacial de Elon Musk, um dos principais idealizadores deste novo modelo de trem-bala .

O Hyperloop promete ser um sistema de transporte de passageiros e cargas através de cápsulas, que se movem dentro de tubos metálicos com ar de baixa pressão. A velocidade chega a 1,2 mil km/h, o que permitiria fazer o transporte entre Rio e São Paulo, por exemplo, em menos de meia hora.

O protótipo criado pela mestranda em informática Mariana Avezum, de 27 anos, e a equipe de estudantes da Universidade Técnica de Munique (TUM), mostrou que a tecnologia necessária para o sistema de transporte já existe e precisa apenas de alguns aperfeiçoamentos para a implementação.

Em entrevista à DW Brasil, Avezum, que mora na Alemanha desde que começou o bacharelado na TUM, há sete anos, destaca as vantagens do Hyperloop como meio transporte e as perspectivas futuras deste sistema.

DW Brasil: Quais são as vantagens do Hyperloop como meio de transporte?

Mariana Avezum: O Hyperloop promete muita coisa: ser mais barato, mais econômico e também mais ecológico, por ser movido a energia elétrica. Há inclusive conceitos interessantes de como gerar energia no próprio tubo, por exemplo, por meio de painéis solares ou com o vento.

Em que pé está o desenvolvimento da tecnologia para que o modelo saia do papel?

Com o nosso protótipo, nós provamos que a tecnologia para a construção do Hyperloop já existe. Agora é uma questão de investimento. Várias empresas têm interesse em construir trechos de Hyperloop em vários locais do mundo, resta saber qual delas terá o melhor plano de negócios. A tecnologia funciona, mas é preciso ver como ganhar dinheiro com esse modelo, porque ele tem um custo de construção inicial muito alto.

Onde você acha que será construído o primeiro Hyperloop do mundo?

Inicialmente, o Hyperloop será usado para o transporte de carga, devido à regulamentação que é mais fácil nesta área. Para a carga, não tem problema se está freando rápido demais, agora uma pessoa passa mal se frear muito rápido. Onde vai ser construído o primeiro Hyperloop é difícil dizer, mas tenho quase certeza que não será nem no Brasil e nem na Alemanha.

Por quê?

No Brasil, não há recursos para esse tipo de investimento e quase não é investido muito em infraestrutura. Já em relação à Alemanha, há um risco de inovação muito grande. Acho que os alemães esperarão para ver se funciona em outro lugar e, somente então, construirão aqui. Um bom lugar para a primeira versão do Hyperloop seria Dubai, Abu Dhabi, até mesmo na Austrália, ou seja, lugares onde há cidades importantes e longe uma da outra.

No atual estágio de desenvolvimento, ele já é um meio de transporte seguro?

Depende muito da definição de seguro. Ele é seguro porque não explode, mas não é confortável. Há alguns detalhes precisam ser mais aprimorados, por exemplo, como criar o vácuo dentro do tubo.

Como funciona o Hyperloop?

São cápsulas que levitam dentro de um tubo sem pressão. A propulsão é elétrica. A ideia do sistema é que, quando não há nada para diminuir a velocidade, a única coisa que precisa ser feita é acelerar por tempo suficiente para alcançar os 1,2 mil quilômetros por hora prometidos. Quando a velocidade desejada é atingida, não é preciso mais acelerar, e ele a mantém durante o percurso. Ao chegar ao destino, ele freia.

Apesar de você e sua equipe terem trabalhado voluntariamente, há custos envolvidos no projeto. Quem financiou os custos para a montagem do protótipo?

Nosso principal patrocinador foi o Grupo Airbus, mas eles não foram os únicos. Alguns, em vez de recursos financeiros, nos apoiaram oferecendo ferramentas ou auxílio técnico.  Acho que essa é a grande diferença de como esse projeto seria recebido no Brasil ou aqui. Nunca fiz um projeto destes no Brasil, mas tenho a impressão de que lá não teríamos um suporte tão grande da indústria, como tivemos aqui.

Na sua opinião, o que levou as empresas a patrocinarem o protótipo?

Alguns dos nossos patrocinadores, através da parceria, tiveram acesso aos estudantes e, desta maneira, podem recrutar novos funcionários. Esse é um contato que interessa para as empresas. Além disso, acabaram fazendo contato com outras empresas, devido a essa grande rede formada por todos os envolvidos no projeto.

Qual é o futuro do projeto?

A Space X já lançou uma segunda competição de Hyperloop e uma nova equipe foi formada na faculdade para participar. Algumas pessoas vão continuar no grupo que aprimorará o protótipo. Eu não farei mais parte do projeto, mas estou ajudando a nova equipe a conseguir patrocinadores. O projeto exige uma grande dedicação, e agora preciso dedicar meu tempo para terminar o mestrado.

 


 

fonte: DW -  Deutschland Hyperloop (WARR/TUM/U. Benz)